Mercado de crédito brasileiro cresce menos em julho, diz BC

terça-feira, 26 de agosto de 2014 12:04 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O mercado de crédito brasileiro continuou perdendo força em julho, ao registrar o menor crescimento em 12 meses desde 2008, em mais um sinal de que a atividade econômica enfrenta problemas.

O estoque total de crédito no país cresceu 11,4 por cento no mês passado, na comparação em 12 meses, sexto mês seguido de desaceleração, informou o Banco Central nesta terça-feira. Quando comparado com junho, a expansão foi de 0,2 por cento em julho, somando 2,835 trilhões de reais, ou 56,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Para este ano, o BC projeta 12 por cento de expansão no estoque de crédito. Com a economia perdendo terreno, o governo anunciou na última quarta-feira amplo pacote de medidas para estimular os bancos a ofertarem mais recursos no mercado, numa ação conjunta entre o BC e o Ministério da Fazenda.

Do lado do BC, foram anunciadas medidas com potencial para injetar mais 25 bilhões de reais na economia envolvendo, entre outros, os compulsórios sobre depósitos a prazo. Somando ações semelhantes adotadas no fim de julho, a autoridade monetária abriu espaço para que entrem 70 bilhões de reais no mercado de crédito.

Para o chefe do departamento Econômico do Bc, Tulio Maciel, as medidas ajudam a diminuir a pressão sobre perspectivas de menor previsão de expansão do crédito neste ano. "Mas vamos aguardar setembro", afirmou ele a jornalistas, referindo-se à data na qual o BC fará novas estimativas para o mercado.

"Há sinais mais favoráveis no volume de concessões em agosto, mas são dados preliminares", acrescentou, sem dar mais detalhes.

Somente no crédito livre, ainda segundo o BC, o saldo das operações de crédito recuaram 0,5 por cento em julho, comparado com o mês anterior, mostrando avanço de 5 por cento em 12 meses. Neste caso, também foi o pior desempenho desde 2008.

Esse cenário de menor expansão do crédito vem junto com inadimplência e spreads maiores. Segundo o BC, no mês passado os atrasos nos pagamentos no segmento de recursos livres ficaram em 4,9 por cento, maior em relação a junho, quando registrou 4,8 por cento.

No crédito total, que também inclui recursos direcionados, a inadmplência ficou em 3 por cento em julho, mesmo patamar do mês anterior.   Continuação...

 
Fachada da sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino