26 de Agosto de 2014 / às 16:18 / em 3 anos

Usinas do centro-sul reduzem produção de açúcar e etanol em 2014/15

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de açúcar e etanol no centro-sul do Brasil na safra 2014/15, que está em andamento, deverá ser menor que a estimada inicialmente e abaixo da realizada na temporada anterior, considerando principalmente os efeitos da seca, afirmou nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A produção de etanol na região deverá ficar em 24 bilhões de litros, 6,14 por cento menos que em 2013/14, enquanto a de açúcar cairá 8,6 por cento, para 31,36 milhões de toneladas, previu a Unica.

Numa análise mais detalhada, a produção de anidro (misturado à gasolina) ainda vai crescer 2,8 por cento ante 13/14, enquanto a produção de hidratado (usado nos carros flex) cairá quase 13 por cento na comparação com a safra passada.

Inicialmente, a Unica previa uma leve alta na produção total de etanol, para 25,86 bilhões de litros, e uma queda de cerca de 5 por cento na fabricação de açúcar, para 32,5 milhões de toneladas.

O centro-sul responde por cerca de 90 por cento da moagem de cana do Brasil, o maior produtor e exportador global de açúcar.

As revisões acompanham uma menor estimativa de moagem de cana na região. A Unica prevê agora processamento de 545,9 milhões de toneladas da matéria-prima, ante 580 da estimativa oficial de abril e 597 milhões de toneladas em 2013/14.

No início de agosto, em uma projeção preliminar, o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, já havia indicado que a safra 2014/15 ficaria entre 40 milhões e 50 milhões de toneladas abaixo da moagem de 2013/14.

EFEITOS DA SECA

A Unica disse que as condições climáticas observadas desde o início da atual safra foram piores do que aquelas utilizadas na elaboração da primeira estimativa, de abril.

“Importantes áreas canavieiras, como aquelas localizadas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, apresentaram chuvas muito abaixo da média histórica”, disse a entidade, em nota.

Na região de Piracicaba, por exemplo, as chuvas entre abril e julho ficaram 68 por cento abaixo da média histórica, ressaltou a Unica.

“A situação no centro-sul é bastante heterogênea”, disse Padua em nota. “Em alguns Estados a safra está atrasada devido ao excesso de chuvas, com possibilidade das usinas não conseguirem colher toda a cana disponível. Por outro lado, regiões canavieiras tradicionais têm sido severamente impactadas pela seca.”

A produtividade agrícola (volume de cana por hectare) apresentou queda de 6,4 por cento no período entre o início da safra e o fim de julho, na comparação com os mesmos meses de 2013, com índices ainda piores em São Paulo, principal Estado produtor.

“A quebra agrícola se acentuará nos próximos meses na medida em que as unidades começarem a colher cana com menos de 12 meses”, afirmou o diretor.

Para São Paulo, com moagem agora estimada em 324,4 milhões de toneladas, a projeção da Unica é fechar 2014/15 com uma quebra de produtividade de 15 por cento ante 13/14.

Com o menor volume este ano e um processamento que avança em ritmo similar ao da temporada passada, a tendência é de um fim antecipado da safra, indicou a Unica.

Por Gustavo Bonato

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