Ex-banqueiro substitui ministro da Economia em novo gabinete francês

terça-feira, 26 de agosto de 2014 18:44 BRT
 

Por Mark John e Julien Ponthus

PARIS (Reuters) - O presidente francês, François Hollande, substituiu seu ministro da Economia dissidente e de esquerda por um ex-banqueiro nesta terça-feira, troca com a qual almeja reconciliar seus esforços para ressuscitar a economia estagnada da França com a ortodoxia de redução do déficit do país.

A troca é o mais recente episódio do debate europeu sobre o tamanho do rigor fiscal que as economias da região podem suportar enquanto se recuperam de crises financeiras. Para Hollande, que reformula seu governo pela segunda vez em dois anos, pode ser a última chance de ter uma presidência bem sucedida.

Arnaud Montebourg, expulso da pasta na segunda-feira depois de seu último discurso contra a “austeridade” imposta pela Alemanha na zona do euro, foi substituído por Emmanuel Macron.

Macron, ex-banqueiro de 36 anos, atuou como principal conselheiro econômico de Hollande até junho. Ele ficou amplamente conhecido no mundo dos negócios francês como o seu "ouvido" no palácio presidencial.

O novo gabinete estreia poucas semanas antes das duras negociações em casa e com parceiros da União Europeia a respeito do orçamento do 2015, quando é amplamento esperado o rompimento das promessas feitas à Bruxelas de cortes dos déficits.

Fontes próximas a Hollande disseram que o novo gabinete, cujos ocupantes tiveram seus nomes revelados nas escadarias do palácio Elysee, irá levar a cabo seu plano para reconciliar medidas pró-mercado para estimular o crescimento – incluindo 40 bilhões de euros em cortes de impostos às empresas – com promessas de aderir às regras orçamentárias da União Europeia.

“Precisamos agir de forma a garantir solidariedade, respeito e consistência”, afirmou uma fonte sobre o esforço do mandatário para superar os dois anos de liderança confusa que fizeram seus índices de aprovação despencarem a níveis recordes.

O ministro das Finanças, Michel Sapin, foi mantido no cargo, no qual tem tentado assegurar aos parceiros franceses na UE que seu país finalmente irá sanear suas finanças públicas, apesar de ter se mostrado repetidamente incapaz de reduzir seu déficit abaixo do limite defendido pelo bloco – 3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Sapin foi minado pelos questionamentos públicos do ex-ministro Montebourg a respeito das regras da União Europeia.   Continuação...