Medida do BCE na próxima semana é improvável sem queda da inflação, dizem fontes

quarta-feira, 27 de agosto de 2014 12:33 BRT
 

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) não deve adotar nova medida de política monetária na próxima semana a não ser que os dados de inflação de agosto, que serão divulgados na sexta-feira, mostrem que a zona do euro está afundando de maneira significativa rumo à deflação, disseram fontes do BCE.

As especulações têm aumentado desde que o presidente do BCE, Mario Draghi, adotou um tom "dovish" no encontro anual de bancos centrais mundiais em Jackson Hole, na semana passada, ao sinalizar que o BCE poderia estar perto de optar pelo "quantitative easing" (QE) --impressão de dinheiro para comprar ativos.

Afastando-se de seu texto original de discurso, Draghi destacou em Jackson Hole, nos Estados Unidos, na sexta-feira passada que "os mercados financeiros indicaram que as expectativas de inflação exibiram declínios significativos em todos os horizontes" em agosto.

Os novos dados de inflação, junto a projeções atualizadas da equipe do BCE, provavelmente vão levar a discussões agitadas na reunião de política do dia 4 de setembro sobre se as medidas de política monetária existentes devem ser aceleradas. Novas medidas são improváveis, mas não impossíveis.

"A barreira para o QE ainda é muito alta", disse uma das fontes, acrescentando que a discussão na reunião deve ser concentrada no reforço das medidas de política monetária existentes de afrouxamento do crédito e provisão de liquidez. Todas as fontes pediram anonimato.

"É difícil dizer no momento que nada vai acontecer. Depende até certo ponto dos dados", complementou a fonte.

O BCE não quis comentar.

A expectativa é que os dados de inflação da zona do euro para agosto mostrem desaceleração na taxa anual para 0,3 por cento, ante 0,4 por cento em julho, segundo pesquisa da Reuters.

O BCE tem como meta de inflação um número logo abaixo de 2 por cento no médio prazo. O banco central considera em sua "zona de perigo" qualquer número abaixo de 1 por cento.   Continuação...

 
Logo do euro fotografado em frente à sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt. 2/09/2013. REUTERS/Kai Pfaffenbach