"Preocupa muito" política monetária que poderia ser adotada por outro governo, diz Mantega

quinta-feira, 28 de agosto de 2014 16:20 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira que "preocupa muito" a política monetária que pode ser feita por um outro governo, referindo-se à hipótese de vitória de um dos candidatos de oposição, dizendo que os juros poderiam virar "estratosféricos" diante do que ele disse estar sendo sinalizado neste momento da campanha eleitoral.

"Estão falando de política monetária que vai combater a inflação de forma radical e poderemos voltar a juros estratosféricos que tínhamos no passado, onde só o setor financeiro levava vantagem e a produção era prejudicada", afirmou o ministro a jornalistas ao comentar o projeto de lei orçamentária para 2015.

"Se teve uma coisa que fizemos foi baixar os juros e os impostos para o setor produtivo ser competitivo", acrescentou.

O comentário de Mantega ocorre num momento em que as pesquisas eleitorais mostram a liderança da presidente Dilma Rousseff (PT) ameaçada no primeiro turno e possibilidade de derrota no segundo turno para Marina Silva (PSB).

A ex-senadora disse recentemente que não se controla a inflação somente elevando a taxa básica de juros, mas também com "eficiência do gasto público".[nL1N0QU0KA]

Já o futuro ministro da Fazenda num eventual governo Aécio Neves (PSDB), terceiro colocado na disputa presidencial, Armínio Fraga, precisou elevar fortemente o juro básico quando assumiu a presidência do Banco Central, em 1999, para impedir um descontrole inflacionário.

E o economista Mansueto Almeida, um dos coordenadores do programa de Aécio disse há menos de duas semanas que "é normal" elevar os juros para combater a inflação.[nL2N0QO0J2]

Após as declarações de Mantega, Mansueto disse à Reuters que o ministro está fazendo "um grande terrorismo eleitoral".

"Com uma equipe econômica nova, o que deve acontecer é uma queda muito forte da taxa de juros de longo prazo quase imediata. A taxa de curto prazo é a Selic, que já é muito alta, possivelmente não precise mais aumentar", disse Mansueto.   Continuação...