Setor público tem 3º déficit primário consecutivo em julho, de R$4,7 bi

sexta-feira, 29 de agosto de 2014 13:34 BRT
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público brasileiro teve déficit primário de 4,715 bilhões de reais em julho, registrando pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2001, três meses consecutivos de déficit primário e escancarando a dificuldade do governo de manter as contas equilibradas em meio a uma economia em recessão.

O déficit de julho, que foi impactado pela piora do resultado dos Estados e municípios, mais que dobrou em relação a junho, quando o resultado ficou negativo em 2,1 bilhões de reais, mostraram dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. Em julho do ano passado, o setor público tinha registrado superávit primário de 2,3 bilhões de reais.

O resultado primário também veio pior do que o projetado por analistas consultados pela Reuters, cuja mediana apontava saldo positivo de 200 milhões de reais.

O governo brasileiro tem como meta fiscal para este ano um superávit primário de 99 bilhões de reais, o equivalente a 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

No acumulado do ano até julho, o superávit primário do setor público soma para 24,7 bilhões de reais, 65 por cento menor que o superávit de 71,2 bilhões de reais no mesmo período do ano passado. Com isso, ficou ainda mais distante a possibilidade do governo cumprir a meta fiscal do ano.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu a dificuldade do governo, mas prometeu "continuar nos esforçando". Ele disse que o governo irá fechar o ano com um resultado primário "razoável", mas não fez estimativas.

Em 12 meses até julho, o superávit primário, que é a economia feita para pagamento de juros, recuou para 1,22 por cento do PIB.

A deterioração das contas públicas nos últimos anos abalou a confiança dos investidores na economia brasileira, levando a agência de classificação de risco Standard & Poor's a reduzir o rating do Brasil.   Continuação...

 
Homem pasa pela sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino