Alta da arroba bovina persistirá no 2º semestre, diz pecuarista

sexta-feira, 29 de agosto de 2014 17:09 BRT
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - A forte alta no mercado bovino brasileiro, com a arroba caminhando para níveis recordes, deverá ser mantida durante o segundo semestre, perdurando até a temporada chuvosa, com uma baixa oferta de animais prontos para o abate, disse o representante de uma importante associação de pecuaristas.

Os preços da arroba estão próximos do maior patamar do ano no mercado físico de São Paulo. Segundo o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a arroba atingiu 127,56 reais na quinta-feira, perto do recorde nominal do final de março, de 127,77 reais.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Luiz Claudio Paranhos, a arroba só deve ceder com a entrada do boi de pasto, após a recuperação das pastagens com a chegada das chuvas e a melhora da oferta de animais prontos para abate.

"O confinamento não vai interferir no processo de estancar esta alta", disse Paranhos em entrevista à Reuters, explicando que a entrada de animais engordados em cocho --e não no pasto-- no mercado não terá impacto relevante.

O sistema de confinamento representa apenas de 10 por cento do abate total no país, mas como o boi confinado entra em um período concentrado acaba contribuindo para um eventual recuo dos preços.

Paranhos observou ainda que os contratos futuros da arroba na BM&FBovespa já indicam preços acima de 130 reais a partir do contrato outubro, o que indica a firmeza desse mercado.

"Ela (arroba) vai começar talvez a estabilizar e ceder um pouquinho quando voltar a safra normal de gado de pasto e de oferta de animais", destacou.

Ele acrescentou que isso deve ocorrer entre dezembro e fevereiro, quando a tendência é que se tenha uma retração de preços. Ainda assim, ele acredita que o recuo será pequeno.   Continuação...