Mantega diz que programa da Marina possui instrumentos que podem paralisar economia

terça-feira, 2 de setembro de 2014 13:05 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou o programa de governo da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, dizendo nesta terça-feira que um forte aumento do superávit primário para o combate à inflação é temerário e provocará estagnação da economia.

"Combate à inflação com aumento muito grande do primário, um choque de primário pode ser temerário porque pode paralisar a atividade econômica", disse o ministro a jornalistas ao ser perguntado sobre qual avaliação ele fazia sobre o programa da candidata.

As críticas de Mantega sobre os efeitos do programa de Marina sobre a atividade, em linha com a estratégia da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, não vem num bom momento. Na última sexta-feira, o IBGE divulgou que a economia brasileira entrou em recessão técnica pela primeira vez em cinco anos. [nL1N0QZ0KJ]

O ministro também fez referência à eventual elevação dos juros para reforçar o combate à alta de preços.

"Inflação se combate com firmeza como temos feito, com política monetária firme, inclusive com elevação de juros, porém não com a volta ao passado, com elevação da taxa de juros para 20, 30, 40 por cento como era praticando antes do nosso governo."

O programa de governo de Marina Silva apresentado na última sexta-feira prevê menor presença do Estado na economia, apresentando como promessa assegurar a independência do Banco Central.

Prevê também a criação do Conselho de Responsabilidade Fiscal, com a atribuição de "verificar a cada momento o cumprimento das metas fiscais e avaliar a qualidade dos gastos públicos".

O programa se propõe ainda a reduzir as atribuições do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que nos últimos anos recebeu injeções bilionárias de recursos do Tesouro para financiar diversos linhas de crédito ao setor privado com juros subsidiados. [ID:nL1N0QZ1N0]

Para Mantega, a eventual redução dos bancos públicos na economia representará menos financiamentos e juros mais altos.   Continuação...