Brasil desperdiça bonança do petróleo mesmo com Dilma declarando vitória

terça-feira, 2 de setembro de 2014 17:15 BRT
 

Por Jeb Blount

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff colocou a política de exploração de petróleo na linha de frente de sua campanha de reeleição.

Os anúncios na televisão mostram imagens exuberantes de gigantescas plataformas marítimas e de novas refinarias em construção. A mensagem é que seu governo está transformando a bonança do petróleo de águas profundas em escolas, hospitais e empregos e impulsionando o Brasil rumo à elite das nações desenvolvidas.

Só há um problema: a indústria petrolífera brasileira pode ser grande e estar em crescimento, mas pouco do que Dilma prometeu quando eleita em 2010 --ou antes, como ministra de Minas e Energia ou membro do conselho da Petrobras-- tornou-se realidade.

Ao invés disso, os especialistas do setor e os adversários de Dilma na eleição dizem que suas políticas levaram a uma estagnação na produção de petróleo, a um aumento na dependência de importações e a um encolhimento na confiança dos investidores, apesar do imenso potencial do Brasil.

"Quando Dilma fala sobre petróleo, fala de sucesso, de destino patriótico, mas não cumpriu o que prometeu", afirmou John Foreman, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). "Ela cumpriu muito pouco, levando em conta todo o dinheiro investido".

O nacionalismo relacionado ao petróleo é profundo no Brasil e a Petrobras é fonte de orgulho. Por isso a campanha de Dilma tem procurado explorar esses sentimentos, apontando para o potencial do país como gigante petrolífero.

Mas concretizar essa promessa tem se mostrado difícil.

Apesar dos mais de 200 bilhões de dólares investidos desde 2009, a produção da Petrobras, responsável por quase 80 por cento da extração de petróleo no Brasil, caiu nos dois últimos anos e esteve estagnada nos três anteriores.   Continuação...