ENTREVISTA-Eucalipto transgênico pode aumentar produtividade e reduzir custos da Suzano

quarta-feira, 3 de setembro de 2014 08:33 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A aprovação do plantio com fins comerciais de uma planta de eucalipto geneticamente modificado deve ajudar a Suzano Papel e Celulose a elevar a produtividade de suas florestas e cortar custos com logística.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação faz audiência pública na quinta-feira para discutir o pedido de liberação comercial do eucalipto geneticamente modificado, desenvolvido pela FuturaGene, empresa de biotecnologia comprada pela Suzano em 2010.

O eucalipto transgênico, avaliado em campo pela FuturaGene desde 2006, apresenta aumento de produtividade de cerca de 20 por cento em comparação com o convencional, segundo a empresa. O acréscimo se dá por conta do maior crescimento em altura e em diâmetro do eucalipto transgênico, o que resulta em maior volume de madeira produzido por hectare, sem alteração na composição.  

"No eucalipto convencional, o melhoramento preconiza por volta de 0,8 por cento de aumento de produtividade ao ano. Vinte por cento é o que se ganharia em aproximadamente 20 anos ou mais de melhoramento convencional", disse à Reuters o vice-presidente de assuntos regulatórios da FuturaGene, Eugênio Ulian.

Com maior produtividade seria possível cortar a árvore de eucalipto aos 5,5 anos de idade com o mesmo volume e mesmas características de madeira necessárias para produção de celulose obtidos com o eucalipto convencional aos 7 anos. Ou esperar o ciclo de 7 anos e ter cerca de 20 por cento mais madeira, disse.

O pedido é o primeiro do gênero no Brasil e, segundo Ulian, pode trazer ganhos consideráveis em economia de custos. "É um aumento muito grande (de produtividade) que permitiria que a indústria repensasse os locais onde o eucalipto é plantado, buscando plantios mais próximos das fábricas e disponibilizando áreas em locais mais distantes", afirmou.

Uma possibilidade seria produzir mais nas áreas mais próximas de fábricas, reduzindo o custo com o frete da madeira, e deixar de plantar 20 por cento nas áreas mais distantes, que poderiam ser destinadas a outras finalidades como preservação.

"Nesse contexto, você também pode diminuir a área plantada, que traz uma redução de custos grande... o custo de implantação da floresta é o maior de todo o sistema", avalia Ulian.   Continuação...