Economista da campanha de Aécio diz que primário não será recuperado logo

quarta-feira, 3 de setembro de 2014 14:29 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - É impossível recompor o superávit primário no próximo ano e o mercado está mais preocupado com um plano de recuperação da questão fiscal no médio e longo prazos, disse nesta quarta-feira o economista Mansueto Almeida, da equipe do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

Segundo ele, o próximo governo terá um grau de liberdade na área econômica muito menor do que a presidente Dilma Rousseff teve em 2011 e, por isso, o corte de investimentos públicos "seria muito ruim".

"Tem uma pressão muito grande para o próximo governo, já nos primeiros dias, mostrar não como vai recuperar o superávit primário no primeiro ano, que isso vai ser impossível, mas qual o plano do governo recuperar esse superávit ao longo de dois, três ou quatro anos", disse Mansueto durante teleconferência com analistas e jornalistas nesta quarta.

A política fiscal do governo tem sido muito questionada nos últimos anos e em 2014 a meta de superávit primário de 1,9 por cento do PIB dificilmente será atingida. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem sinalizado que o país busca "o melhor resultado primário possível", evitando se comprometer em alcançar a meta.

Mansueto acredita que qualquer presidente que vença as eleições de outubro não terá condições de fazer um forte ajuste fiscal já no primeiro ano por conta do baixo crescimento da economia.

"Eu acho que dado esse cenário com economia estagnada você cortar investimento público seria muito ruim", argumentou.

"Então, um forte ajuste primário eu acho que é muito difícil qualquer que seja o próximo governo, mas é possível deixar muito claro para o mercado um plano de voo. Qual vai ser o nosso superávit nos próximos dois, três anos", acrescentou, sem dar detalhes desse plano.

Questionado sobre qual seria a meta para o quarto ano de um eventual governo Aécio, ele disse que ainda não há essa meta, mas que seria "interessante" que ela ficasse entre 2 por cento, 2,5 por cento, ou até 3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

"Exatamente qual o valor vai depender da trajetória dos juros e da taxa de crescimento", disse.   Continuação...