Conversas da Hospira com Danone por negócio de US$5 bi são paralisadas

quarta-feira, 3 de setembro de 2014 15:03 BRT
 

LONDRES (Reuters) - As negociações da farmacêutica norte-americana Hospira para comprar a unidade de nutrição médica da Danone e usar o negócio para mover seu domicílio fiscal para o exterior foram paralisadas, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Isso acontece em um momento em que aumentam as críticas nos Estados Unidos às tentativas de empresas do país de se realocarem no exterior e reduzirem encargos tributários.

A Hospira, fabricante de dispositivos farmacêuticos e médicos, vinha discutindo o chamado acordo de inversão fiscal sob o qual pagaria cerca de 5 bilhões de dólares em dinheiro e ações pelo negócio de nutrição médica da empresa francesa. Tal transação permitiria que a Hospira, que tem um valor de mercado de 9,15 bilhões de dólares, reduzisse sua taxa de imposto e liberasse recursos estrangeiros.

Mas as negociações foram colocadas em espera e ainda não está claro se o acordo proposto e sua estrutura poderão ser revividos, disseram pessoas familiarizadas com o assunto nesta semana, pedindo para não serem identificadas porque o assunto não é público.

Não ficou imediatamente claro por que as partes paralisaram as discussões, mas a decisão chega em um momento em que empresas dos EUA que consideram a realização de inversões fiscais sofrem intensa pressão do governo e de políticos para repensarem seus planos.

Quando o interesse da Hospira no negócio da Danone surgiu pela primeira vez em julho, um senador sênior dos EUA escreveu para a empresa instando-a a não mover sua base fiscal para o exterior.

Até agora em 2014, dez operações de inversão corporativas foram feitas, historicamente o maior número em um ano. Fontes do mercado financeiro dizem que o mercado de inversões está desacelerando, com empresas norte-americanas que querem comprar rivais no exterior principalmente por razões fiscais ficando cada vez mais desanimadas com o aumento dos preços, dificuldades administrativas e os temores de uma repressão por parte do governo dos EUA.

(Por Anjuli Davies e Sophie Sassard)