Clima e custos impõem cautela a produtores de soja do país no início do plantio

quinta-feira, 4 de setembro de 2014 16:52 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Agricultores preparam-se para iniciar o plantio de uma safra recorde de soja no Brasil tendo a cautela como lema, em um momento de preços relativamente mais baixos, alto custo e clima desfavorável nas primeiras semanas da temporada.

O plantio em importantes Estados produtores, como Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, pode ser feito a partir de 15 de setembro, data em que termina o vazio sanitário --período no qual não pode haver plantas vivas no campo, para evitar doenças como a ferrugem.

Muitos produtores, de olho em uma colheita rápida que permita a semeadura de uma segunda safra de milho, tentam colocar as plantadeiras no campo nos primeiros dias da temporada.

No Centro-Oeste, no entanto, o clima não deve colaborar com esses planos para os primeiros dias da temporada. Chuvas regulares chegarão à região apenas em meados de outubro, dentro do padrão histórico, mas talvez mais tarde do que o desejado por muitos agricultores.

"O risco de 'plantar no pó', antes das chuvas chegarem, vai ser enorme este ano. Não há nenhuma previsão de normalizar as chuvas em 15 de setembro", disse por telefone o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar, direto de Tangará da Serra, em Mato Grosso.

O especialista está participando de uma série de mais de 20 encontros com produtores rurais e relata ansiedade por parte de muitos para que o plantio da soja seja feito o mais rápido possível.

"O risco de o produtor fazer um plantio sem regularidade das chuvas é muito grande. Pouca gente vai arriscar", disse o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja MT), Nery Ribas. "Não se pode perder o investimento inicial, que não é barato. Está muito quente e seco", afirmou.

Após anos recentes de margens em patamares recordes, as despesas com insumos para a soja subiram 15,5 por cento em 2014, segundo o mais recente levantamento feito pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), na comparação com 2013.   Continuação...