Usinas de cana do Brasil estocam açúcar e etanol antes de longa entressafra

sexta-feira, 5 de setembro de 2014 13:09 BRT
 

Por Reese Ewing e David Brough

SÃO PAULO/LONDRES (Reuters) - Diante de um final antecipado para moagem de cana no centro-sul do Brasil, as usinas estão estocando açúcar e etanol, em preparação para uma entressafra mais longa do que o normal, uma situação que deverá sustentar os preços no próximo ano.

Os mercados de futuros refletem a tendência, com cotações do açúcar bruto muito mais altas para os contratos de 2015. Há um substancial "spread" de 200 pontos entre o contrato outubro de 2014 e março de 2015 na bolsa de Nova York.

"Se você segurar o estoque de açúcar, você consegue um preço melhor", disse o analista agrícola Claudiu Covrig, do provedor de dados Platts Kingsman, em Lausanne.

A atual fraqueza do açúcar, negociado perto de mínimas de sete meses em Nova York, reflete a abundante disponibilidade de curto prazo, no auge da colheita no maior produtor mundial, Brasil, além de estoques consideráveis ​na Tailândia, segundo maior exportador, e na China, líder na importação.

A associação da indústria de cana do centro-sul do Brasil, a Unica, estima que as usinas da principal região produtora do país terminem a moagem 30 dias mais cedo, em novembro, por causa de uma safra reduzida pela seca.

Algumas usinas já começaram a encerrar as atividades por causa de uma escassez de cana.

Fontes do mercado disseram que usinas brasileiras tinham cancelado vendas de 300 mil a 600 mil toneladas de açúcar, com previsão de entregas em semanas próximas, pagando multas de "washout" para capturar melhores retornos mais tarde.

Os retornos mais fortes e de maior liquidez que as usinas brasileiras estão recebendo a partir de vendas de etanol, em relação ao açúcar, também reduzirão a produção do adoçante nos últimos meses de esmagamento.   Continuação...