PIB do Japão cai 7,1% no 2º tri e aumenta dúvidas sobre meta de inflação

segunda-feira, 8 de setembro de 2014 08:38 BRT
 

Por Leika Kihara

TÓQUIO (Reuters) - A economia japonesa teve contração de 7,1 por cento em base anualizada no período de abril a junho ante o trimestre anterior, resultado que ampliou dúvidas sobre se o banco central pode alcançar sua meta de inflação de 2 por cento no começo do ano que vem.

A contração foi a maior desde o período de janeiro a março de 2009, quando a crise financeira global atingiu as exportações e a atividade industrial do Japão. Alguns analistas agora esperam que a economia praticamente não cresça no ano fiscal atual até março de 2015.

O Produto Interno Bruto (PIB) foi revisado para baixo ante queda preliminar de 6,8 por cento, segundo dados do Escritório do Gabinete divulgados nesta segunda-feira, e foi pior que a mediana de previsões do mercado de queda de 7,0 por cento em pesquisa da Reuters com economistas.

A revisão foi causada em grande parte devido ao recuo maior que o esperado nos gastos de capitais e uma queda mais profunda nos gastos de consumidores, sugerindo que a economia pode enfrentar dificuldades para superar o aumento do imposto sobre vendas ocorrido em abril.

O banco central do país disse anteriormente que a inflação de consumidores caminhará para a meta de 2 por cento enquanto a economia crescer acima de seu potencial, visto como em cerca de 0,5 por cento. Os dados mais recentes sugerem que isso está em risco, com vários analistas esperando crescimento ainda menor.

"Dados recentes têm sido em geral fracos, e a recuperação econômica tem sido mais lenta que o previsto", disse o economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute, Yoshiki Shinke, que espera que a economia fique estável neste ano fiscal.

O economista-chefe do Norinchukin Research Institute, Takeshi Minami, também cortou sua projeção de crescimento a 0,2 por cento no ano fiscal atual, citando gastos de capital fracos.

"A pressão inflacionária irá enfraquecer refletindo um crescimento econômico lento", disse ele. "Em algum momento, o banco central e o governo terão que adotar algumas medidas (para reviver o crescimento)".