Rússia teme sanções sobre refinarias e prevê escassez de gasolina

sexta-feira, 12 de setembro de 2014 09:54 BRT
 

Por Olesya Astakhova

MOSCOU (Reuters) - Qualquer nova sanção do Ocidente que tenha como alvo o fornecimento de tecnologia para a modernização de refinarias de petróleo na Rússia pode ocasionar falta de gasolina, disse um representante do ministério de Energia russo.

As mais recentes sanções do Ocidente, impostas nesta sexta-feira, tiveram como alvo tecnologia para a exploração de petróleo no Ártico russo e projetos de óleo de xisto.

Yury Zolotnikov, um subchefe do departamento de refino de óleo, disse que seu ministério já previa a falta de gasolina no ano que vem e em 2016, com a Rússia em um “perigoso equilíbrio” de produção, apenas marginalmente maior do que o consumo.

“Até agora, não houve tais sanções, mas elas obviamente podem criar problemas (para a modernização de refinarias”, disse Zolotnikov em uma entrevista.

Sanções limitaram a capacidade de companhias russas de captar recursos em mercados de capitais ocidentais e prejudicaram a Rosneft, maior produtora de petróleo russa, que já teve que realizar demissões por conta das quedas de produção.

A Rússia é particularmente dependente do Ocidente para componentes catalisadores, equipamento de refino e turbinas a gás, o que significa que o complexo trabalho de modernização de refinarias para melhorar a qualidade do combustível é visto como quase impossível sem o acesso às especialidades ocidentais.

A Rosneft precisa investir mais de 21 bilhões de dólares anualmente até 2017 para operar novos campos e atualizar refinarias. A empresa disse na semana passada que planejava substituir todas as importações de equipamento e tecnologia do Ocidente por conta das sanções.

Em maio, o ministro de Energia, Alexander Novak, pediu ao presidente Vladimir Putin que aumentasse o financiamento para produtores domésticos, considerando que um quarto de todo o equipamento utilizando na melhoria da produção de petróleo era importando. Os esforços de modernização, segundo estimativas, devem custar 55 bilhões de dólares nesta década.   Continuação...