Alta do dólar ainda não é suficiente para destravar vendas de soja, dizem analistas

sexta-feira, 12 de setembro de 2014 16:59 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A cotação do dólar ante o real, que subiu nesta sexta-feira para níveis que não eram vistos em quase seis meses, ainda não deverá ser suficiente para elevar de forma expressiva os preços da soja no Brasil e destravar os negócios da nova safra, que começa a ser plantada em poucos dias, disseram especialistas.

O dólar bateu quase 2,35 reais nesta sexta, em alta influenciada por pesquisas eleitorais, deixando mais firme o preço da commodity no Brasil. Mas esses ganhos pelo câmbio esbarram em preços menores no exterior.

A cotação da soja na bolsa de Chicago (CBOT) continuou negociada abaixo de 10 dólares por bushel, perto da mínima de quatro anos.

"Por enquanto muda muito pouco. A queda acumulada da semana na CBOT foi muito grande em função do (relatório de safra do) USDA de ontem", disse o diretor da França Junior Consultoria, Flávio França Jr.

Segundo o consultor, atualmente 10 por cento da safra 2014/15 está comercializada antecipadamente, contra 25 por cento das vendas da safra 2013/14 um ano atrás, e 22 por cento da média histórica para o período.

A última vez que a comercialização antecipada de uma safra esteve tão baixa foi em 2009/10, quando os preços internacionais bateram em patamares semelhantes aos atuais, disse França Jr.

O mercado da oleaginosa segue pressionado pelas perspectivas de uma produção recorde nos EUA, a ser colhida nas próximas semanas e de uma nova safra histórica no Brasil, onde o plantio começa ainda este mês, com colheita prevista a partir de fevereiro de 2015, conforme reforçaram dados do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) divulgados na quinta-feira.

Os preços oferecidos pela soja nos portos reagiram levemente, mas ainda não estimulam as vendas, disse o operador de commodities Marco Henrique Serra, da Itrading, de Curitiba.   Continuação...