12 de Setembro de 2014 / às 22:09 / em 3 anos

ANÁLISE-Queda do preço do petróleo desafia Petrobras em momento de alta na produção

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O cenário de preços baixos do petróleo em um momento em que a Petrobras começa a entregar o aumento de produção tão prometido é um desafio adicional para a petroleira, que tem no fluxo de caixa a principal fonte de recursos para fazer frente aos seus investimentos bilionários, segundo especialistas.

O preço do petróleo de referência global, o Brent, fechou em queda de 1 por cento nesta sexta-feira, a 97,11 dólares por barril, perto da mínima de dois anos de 96,72 dólares registrada na véspera, pressionado pelo excesso de oferta internacional da commodity e por uma demanda global menor que a projetada.

Um preço mais baixo que o esperado poderia resultar em uma receita menor do que a projetada nas exportações da Petrobras, embora um dólar mais forte possa atenuar essa situação. O valor atual do Brent está quase 10 dólares abaixo do que a Petrobras considera como premissa para a financiabilidade de seu plano de investimento em 2014 (105 dólares o barril).

“A Petrobras está investindo muito. A principal fonte de financiamento para os investimentos é o fluxo de caixa da empresa... Se o preço cai, reduz a receita de exportações da empresa”, disse Edmar Almeida, professor e pesquisador do Grupo de Economia de Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Num momento em que nem conflitos geopolíticos em importantes países produtores de petróleo têm sido capazes de elevar os preços da commodity, a estatal apresenta números de produção não vistos há anos.

Em junho, a empresa ultrapassou a marca de 2 milhões de barris de óleo/dia, o que não acontecia no país desde 2012, e em julho produziu 2,05 milhões de barris/dia. Agora está produzindo no Brasil volumes de petróleo próximos de um recorde registrado em dezembro de 2010, de 2,121 milhões de barris/dia.

No início do mês, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que dados não consolidados de agosto mostravam produção “beirando” os 2,1 milhões de barris/dia.

Graça Foster, como prefere ser chamada, também confirmou a meta de crescimento da extração para o ano de 7,5 por cento frente a 2013, podendo variar um ponto percentual para cima ou para baixo.

Almeida, da UFRJ, avaliou ainda que a queda do preço do petróleo pode ser um importante fator negativo a ser levado em conta pelas agências de rating que monitoram a estatal.

“Se o preço continuar baixo, essas análises podem tomar como referência esses preços mais baixos e pioraria a expectativa dos analistas com relação a situação financeira da Petrobras e poderia até diminuir o rating da empresa”, explicou.

O pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV) Mauricio Canêdo Pinheiro fala na mesma direção.

“A Petrobras tem um plano ambicioso de investimento para exploração e produção de petróleo, parte desse investimento pode deixar de ser lucrativo se o preço do petróleo cair”, afirmou ele.

Procurada para comentar o assunto, a Petrobras não respondeu imediatamente.

REDUÇÃO DA DEFASAGEM

Em contrapartida, um preço do petróleo mais baixo poderia resultar em uma redução da defasagem dos preços internos frente aos combustíveis comercializados no exterior, algo que tem trazido prejuízos seguidos para a divisão de Abastecimento da empresa.

No Brasil, o governo impede que o preço dos combustíveis acompanhe a volatilidade do mercado externo e tem mantido os valores abaixo dos praticados em outros países. Com isso, ao importar combustíveis e vendê-los no Brasil a cotações inferiores às de compra, a Petrobras sofre perdas.

Por isso, acrescentou Pinheiro, do IBRE, a queda do petróleo também pode ser considerada positiva para a Petrobras, uma vez que reduz a defasagem dos preços dos combustíveis no Brasil.

No mês passado, devido à queda do preço do barril de óleo, a defasagem de preços dos combustíveis atingiu seu menor patamar desde novembro de 2013, pelo menos, na comparação com os valores internacionais, segundo cálculos da GO Associados em 26 de agosto.

A defasagem do preço da gasolina, ante o valor registrado na refinaria nos EUA, ficou em torno de 11 por cento em agosto. Já a diferença do preço do diesel, o combustível mais vendido pela Petrobras, ficou em torno de 4 por cento, segundo a GO.

Para Almeida, da UFRJ, se a defasagem continuar reduzindo, como aconteceu em agosto, o tão aguardado reajuste do preço dos combustíveis, que não aconteceu nenhuma vez neste ano, poderia não ter justificativa do ponto de vista do valor do petróleo.

Mas há a questão do dólar mais forte frente ao real, que torna as importações mais caras. A moeda norte-americana fechou a 2,3351 nesta sexta-feira, com a maior alta ante o real em quase dez meses, após pesquisa mostrar empate técnico da presidente Dilma Rousseff (PT) com Marina Silva (PSB) num segundo turno das eleições presidenciais.

Nas premissas básicas para seu atual plano de negócios 2014-2018, a Petrobras considera a taxa de câmbio média de 2,23 reais por dólar, em 2014.

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