Governo avalia reduzir meta de superávit primário deste ano, indica secretário do Tesouro

sexta-feira, 12 de setembro de 2014 19:23 BRT
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal avalia nova redução na meta de superávit primário de 2014, mas a decisão ainda não foi tomada, indicou nesta sexta-feira o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, à Reuters.

Perguntado se descartaria a possibilidade de um novo ajuste na meta fiscal, o secretário respondeu: "A 10 dias do relatório, estamos justamente na fase em que não me cabe colocar uma opinião porque o governo está discutindo e, quando chegar à conclusão, vamos informar do jeito usual, que é o relatório", disse ele, referindo-se ao Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas.

Questionado sobre se o governo estava mudando o tom e poderia alterar a meta, ele respondeu: "Evidente que se a receita deu a menos, isso significa que teremos que reavaliar e ver o que teremos que fazer. Isso não é uma decisão, não quer dizer que faremos A ou B. Tem que ver as possibilidades e isso é um estudo técnico".

O próximo relatório bimestral de receitas e despesas, segundo o secretário, será divulgado no próximo dia 22. O seguinte sairá apenas após as eleições presidenciais de outubro.

Nos sete primeiros meses do ano, dado mais recente disponível, o setor público brasileiro teve superávit primário --economia feita pelo governo para pagamento dos juros da dívida pública-- de apenas 24,7 bilhões de reais, afetado pela economia fraca e desonerações tributárias.

Já existe ampla expectativa entre agentes econômicos de que o governo federal não cumpra ou então reduza a atual meta consolidada de superávit primário.

A meta cheia de superávit primário em 2014 era de 167,4 bilhões, ou cerca de 3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), anunciada na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Posteriormente, na divulgação da proposta do Orçamento, o alvo foi ajustado para 109,4 bilhões de reais, o equivalente a 2,1 por cento do PIB, com o governo anunciando que faria abatimentos previstos em lei.

Em fevereiro, ainda prevendo dificuldades, o governo reduziu o montante para 99 bilhões de reais, ou 1,9 por cento do PIB, assegurando que o novo objetivo era crível e seria atingido.   Continuação...