Polônia diz que estatal russa Gazprom está testando sua determinação

sábado, 13 de setembro de 2014 16:12 BRT
 

VARSÓVIA/MOSCOU (Reuters) - O vice-primeiro ministro polonês, Janusz Piechociński, disse neste sábado que as recentes interrupções no abastecimento de gás fornecido da Rússia eram uma tentativa da estatal Gazprom de testar a determinação polonesa.

A Polônia, em desacordo com a Rússia sobre uma rebelião pró-Rússia no leste da Ucrânia, foi obrigada a suspender o fluxo de gás para a Ucrânia por dois dias mais cedo nesta semana depois da importadora de gás PGNiG ter dito que não vinha recebendo os volumes de gás solicitados à Gazprom desde segunda-feira.

"Eu acho que as interrupções temporárias dos últimos dias foram de fato uma tentativa do fornecedor oriental de testar a reação da Polônia", afirmou Piechociński em uma coletiva de imprensa.

A gigante de gás russa Gazprom disse neste sábado que não era capaz de fornecer à Polônia os volumes de gás natural solicitados e que só poderia fornecer níveis mais próximos do patamar diário mínimo permitido nos termos do contrato.

A Polônia, uma das maiores críticas da União Europeia de ações do Kremlin na crise da Ucrânia, depende da importação de gás russo para a maior parte do seu consumo. O relatório anual da PGNiG de 2013 mostra que o gás importado da Gazprom respondeu por 54 por cento do total de vendas a 16,2 bilhões de metros cúbicos.

Analistas de energia em Varsóvia já disseram que a Rússia pode estar usando as entregas para a Polônia para enviar um aviso para a Europa que vai partir para a retaliação se Bruxelas for em frente com novas sanções contra Moscou em função da crise na Ucrânia. O Ocidente acusa o Kremlin de fomentar uma rebelião pró-Rússia no leste da Ucrânia, algo que Moscou nega.

A Gazprom não deu nenhuma razão neste sábado para sua incapacidade de fornecer o gás.

"Eles estão pedindo o máximo, e nós só somos capazes de fornecer mais perto do mínimo diário", disse à Reuters um porta-voz da Gazprom quando questionado sobre os pedidos da Polônia.

(Por Jason Bush e Marcin Goettig)