ESPECIAL-Indústria de frango dos EUA usa antibióticos rotineiramente nas criações

segunda-feira, 15 de setembro de 2014 19:16 BRT
 

Por Brian Grow e P.J. Huffstutter

ATLANTA/CHICAGO (Reuters) - Grandes indústrias de aves dos Estados Unidos estão administrando antibióticos a suas criações com frequência muito maior do que as agências reguladoras podem perceber, o que representa um risco em potencial à saúde humana.

Registros internos examinados pela Reuters revelam que alguns dos maiores produtores de aves norte-americanos dão uma variedade de antibióticos a suas criações rotineiramente --e não somente quando adoecem, mas como prática comum durante a maior parte da vida das aves.

Em cada caso de uso de antibiótico identificado pela Reuters, as doses foram administradas nos níveis baixos que os cientistas dizem contribuir em especial para o crescimento das chamadas superbactérias, que adquirem resistência a medicamentos convencionais usados para tratar pessoas. Alguns dos antibióticos pertencem a categorias consideradas relevantes para humanos.

Os documentos internos contêm detalhes de como cinco grandes empresas --Tyson Foods (TSN.N: Cotações), Pilgrim’s Pride (PPC.O: Cotações), Perdue Farms, George’s e Koch Foods-- medicam parte de suas criações.

As provas documentais do uso rotineiro de antibióticos durante longos períodos são "assombrosas", disse Donald Kennedy, ex-comissário da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA, na sigla em inglês).

Kennedy, presidente emérito da Universidade Stanford, afirmou que a aplicação tão disseminada das drogas por muito tempo pode criar “uma fonte sistemática de resistência a antibióticos” nas bactérias, cujos riscos não são totalmente conhecidos.

“Isto pode ser uma parcela ainda maior do problema de resistência a antibióticos do que eu tinha pensado”, declarou Kennedy.

  Continuação...