Produtores brasileiros contestam projeções do governo para safras de café

quarta-feira, 17 de setembro de 2014 17:34 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os cafeicultores brasileiros criticaram e contestaram nesta quarta-feira as recentes estimativas do governo para as safras de café neste e no próximo ano, por considerarem superestimadas e realizadas com base em critérios questionáveis, de acordo com nota divulgada pelo Conselho Nacional do Café (CNC) e a Comissão Nacional do Café da CNA.

O CNC e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disseram repudiar "veementemente" as previsões, levando em conta os impactos que podem causar à vida dos milhões de produtores de café do Brasil, ao pressionar os preços.

"Ao longo dos últimos dias, fomos surpreendidos com um prognóstico e com uma estimativa para as safras brasileiras de café anunciadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)", disseram as entidades em nota. "Para 2015, técnicos da estatal, absurda, incoerente e inconsequentemente, apontaram uma produção de 48,8 milhões de sacas de 60 kg."

O prognóstico governamental consta do relatório com perspectivas para a agropecuária no país na próxima temporada, divulgado pela Conab na semana passada.

As associações avaliam que a severa seca registrada no início do ano, em um período que deveria ser chuvoso, afetou não apenas a produção de 2014, como terá efeitos em 2015 na colheita do maior produtor e exportador global de café.

"É incabível que um órgão federal divulgue dados para o ciclo cafeeiro futuro com base em tendências e estatísticas históricas, haja vista que essas tendências foram consideradas da mesa do escritório, sem sequer irem a campo...", disse a nota.

A Conab disse por meio da assessoria de imprensa, após divulgar o estudo, que os dados de 2015 foram calculados com base em tendências e estatísticas, e não em pesquisas de campo.

A primeira estimativa oficial da companhia, com dados de campo para a temporada 2015, está prevista para 9 de janeiro.

"Pensando-se na safra 2015, qualquer análise ou estimativa séria poderá ser desenvolvida somente a partir de dezembro, quando poderemos observar o pegamento ou não das floradas e quais foram os efeitos do veranico do primeiro bimestre e dos baixos índices pluviométricos e das altas temperaturas que assolam o parque cafeeiro ao longo de praticamente todo este ano", disseram as entidades.   Continuação...