Concentração de renda cresce e desemprego volta a subir em 2013, mostra Pnad

quinta-feira, 18 de setembro de 2014 10:31 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A concentração de renda no Brasil aumentou ligeiramente no ano passado pela primeira vez desde 2004, enquanto a taxa de desemprego voltou a subir devido à pequena abertura de vagas, mostrou a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad), divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE.

O rendimento médio do trabalhador brasileiro ocupado, segundo o estudo, subiu 5,7 por cento em 2013, para 1.681 reais, ante 1.590 reais em 2012, mas o avanço foi desigual. A renda dos mais ricos avançou em um ritmo mais forte que o rendimento dos mais pobres, causando aumento da disparidade de renda.

O movimento foi verificado em todos os recortes feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seja pela renda do trabalho, pela renda domiciliar ou pela renda de todas as fontes, que inclui programas de transferência de renda, pensão, aposentadoria e aluguel.

O índice de Gini, que mede a concentração de renda, avançou para 0,500 em 2013, ante 0,499 no ano anterior. Pelos critérios do indicador, quanto mais perto de zero menor é a desigualdade de um país. Em 2011, o Gini calculado com base no rendimento domiciliar mensal foi de 0,501.

“Os três recortes mostram uma estabilidade do Gini desde 2011. Para o índice melhorar, as pessoas das camadas mais pobres precisariam ter aumentos superiores dos demais. Não vimos isso e, por isso, não vemos movimentação (na concentração)”, avaliou a economista do IBGE Maria Lúcia Vieira.

A renda média dos 10 por cento mais pobres subiu 2,17 por cento para 470 reais. Por outro lado, a renda média dos 10 por cento mais ricos avançou 4,4 por cento, a 11.758 reais.

“Teve um aumento maior nas extremidades da distribuição, no meio ou não teve nada ou até queda. Para se ter uma distribuição melhor tem que dar mais para quem tem menos. Isso não aconteceu no ano passado e a desigualdade aumentou”, avaliou a economista do IBGE.

Segundo ela, o que mais chama a atenção é que o Gini “está praticamente parado” há três anos no país (2011, 2012 e 2013).   Continuação...

 
Pessoas olham anúncios de emprego no centro de São Paulo. 13/08/2014 REUTERS/Paulo Whitaker