CENÁRIOS-Usinas a biomassa mantêm forte geração mesmo com safra menor de cana

quinta-feira, 18 de setembro de 2014 18:03 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas e Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A estimativa de uma safra de cana-de-açúcar quase 9 por cento menor neste ano não deverá ser suficiente para afetar a geração de energia das térmicas a biomassa, que aumentaram fortemente a geração de eletricidade no primeiro semestre na comparação com mesmo período de 2013.

As usinas de cana-de-açúcar podem utilizar outras biomassas que não a de cana, como já vem acontecendo, para gerar eletricidade e continuar ganhando com a venda de energia em momento de alto preço no mercado de curto prazo.

Enquanto hidrelétricas enfrentaram altos custos para cobrir o déficit da geração causado pelo baixo nível dos reservatórios, termelétricas descontratadas ou que produzem excedente de energia, como as usinas a biomassa, obtiveram fortes ganhos no ano até agora.

De janeiro a julho, as usinas a biomassa geraram 28 por cento a mais de energia elétrica em relação ao mesmo período do ano passado. Cerca de 80 por cento dessas usinas utilizam bagaço de cana, segundo o gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar de Souza.

A cogeração das usinas a biomassa começou mais cedo neste ano, com a utilização de sobras de cana da safra anterior. Como o valor da energia de curto prazo, conhecido como PLD (preço de liquidação de diferenças), já estava alto, as usinas de cana-de-açúcar usaram inclusive outras biomassas, como cavaco de madeira e casca de amendoim, para gerar mais energia e obter ganhos com a venda.

"A venda de energia responde por 10 a 12 por cento da receita de uma usina (de cana de açúcar) que exporta (energia). Ajuda a competitividade do setor como um todo", disse Zilmar de Souza.

O presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), Newton Duarte, disse que a cogeração pode chegar a responder hoje por até 30 por cento do lucro das usinas de açúcar e álcool. "Algumas delas, inclusive, até lamentam não terem feito investimento (em cogeração) no passado", acrescentou.

Para o restante do ano, o ritmo forte da geração depende principalmente da manutenção de um preço alto de energia de curto prazo que motive a geração de excedentes, até mesmo utilizando outras biomassas, já que a safra de cana tende a ser prejudicada pela estiagem no país.   Continuação...