Mercados devem continuar voláteis até Dilma indicar mudança de política

domingo, 26 de outubro de 2014 23:12 BRST
 

Por Bruno Federowski e Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - Os mercados financeiros brasileiros devem abrir com tom pessimista nesta segunda-feira após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), sob a expectativa de manutenção da atual política econômica por mais quatro anos, com dólar e juros em alta e bolsa em baixa.

A volatilidade pode ser o tom dos mercados até que a presidente indique mudanças na condução econômica, sobretudo com as políticas intervencionista e fiscal pouco transparente, segundo especialistas consultados pela Reuters que, em grande parte, mostraram-se céticos de que mudanças devem vir de fato.

E isso tudo em meio a um cenário internacional sensível, com fraqueza na economia europeia e expectativas de alta dos juros dos Estados Unidos.

"A Volatilidade dos próximos dias virá das possíveis ações do governo, incluindo a nomeação da equipe (econômica)", disse o economista-chefe do Banco J. Safra, Carlos Kawall, que foi secretário do Tesouro Nacional no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Permanecerá a incerteza, mas continuará a mesma lógica e se tiver uma sinalização mais positiva pode reverter essa decepção dos mercados", disse.

A presidente venceu seu oponente Aécio Neves (PSDB) com margem bastante apertada: 51,6 por cento dos votos válidos a 48,4 por cento.

Nas semanas que antecederam o segundo turno das eleições, os mercados financeiros no Brasil viveram uma verdadeira montanha russa, com alta volatilidade e oscilando conforme os rumores e pesquisas de intenção de voto. O dólar fechou sexta-feira negociado na casa os 2,45 reais, mas chegou a 2,50 reais, enquanto o principal índice de ações brasileiro, o Ibovespa, encerrou a semana passada em queda de 6,8 por cento.

Nos próximos dias, há quem acredite que a moeda norte-americana possa ir a 2,70 reais com a vitória de Dilma.

Nos últimos anos, o governo tem usado manobras fiscais para tentar cumprir as metas de superávit primário --economia feita para pagamento de juros da dívida--, alimentando críticas e descrenças dos agentes econômicos com a transparência das contas públicas. Em meio à inflação elevada e atividade fraca, que afetou a arrecadação, e gastos elevados, o superávit primário do setor público consolidado --governo central, Estados, municípios e estatais-- até agosto soma 10,250 bilhões de reais, ou cerca de 10 por cento da meta para 2014.   Continuação...