Dilma tem difícil tarefa de colocar economia nos trilhos

segunda-feira, 27 de outubro de 2014 01:29 BRST
 

Por Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita em uma apertada disputa e prometeu estender sua luta contra a pobreza, mas ela terá que restabelecer a ordem nas contas públicas no segundo mandato para colocar uma paralisada economia brasileira de novo nos trilhos.

Dilma venceu o candidato Aécio Neves (PSDB) na eleição no domingo, com forte apoio de eleitores mais pobres, apesar da dificuldade do país em controlar a inflação, atrair investimentos e reviver a economia que caminha para o quarto ano de crescimento modesto.

Com uma campanha eleitoral dura que ficou para trás, Dilma agora enfrenta agora a difícil tarefa de restaurar o brilho de uma economia que já foi a queridinha de Wall Street, mas que tem sido atingida por tropeços políticos e por maus ventos econômicos globais que prejudicam a demanda por exportações brasileiras.

Para isso, ela terá de mover-se rapidamente para estancar o sangramento nas contas públicas do Brasil, que adicionou pressão sobre a inflação e erodiu a confiança de investidores na maior economia da América Latina. Se não sanear as contas públicas, o país pode ter seu rating de crédito rebaixado no próximo ano.

A dúvida é se Dilma, que defende uma economia orientada pela presença do Estado, está comprometida o suficiente com disciplina fiscal para assumir as difíceis reformas tributária e da Previdência ou para cortar gastos em programas sociais populares.

"Tudo vai depender de política fiscal, mas não há muita margem de manobra para fazer um ajuste muito drástico no curto prazo, dada a rigidez do Orçamento", disse o conselheiro e ex-presidente do Banco Mundial, o economista Otaviano Canuto, que alguns representantes do governo dizem ser um forte candidato a ser ministro da Fazenda no novo mandato de Dilma.

Cerca de 90 por cento das despesas no Orçamento federal são obrigatórias por lei, o que significa que o governo não tem muito espaço para cortes expressivos sem reduzir investimentos públicos ou programas sociais.

"Qualquer ação fiscal deveria ser acompanhada por alguma reforma de médio e longo prazo para reforçar a confiança", acrescentou Canuto, que se recusou a comentar sobre as especulações de seu nome para a Fazenda.   Continuação...