Usinas esperam diálogo com Dilma reeleita e política mais clara para etanol

segunda-feira, 27 de outubro de 2014 13:28 BRST
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) espera que a presidente Dilma Rousseff mostre-se mais aberta ao diálogo, conforme prometeu em seu primeiro pronunciamento após ser reeleita no domingo, e apresente políticas mais claras para o setor de combustíveis que possam beneficiar os produtores de etanol, afirmou nesta segunda-feira a entidade.

"O diálogo sempre é melhor do que o não dialogo. Não podemos saber se o dialogo será positivo ou não, mas é importante que a presidente demonstre com clareza qual o papel ela espera da agroenergia na matriz de energia brasileira, se é um papel protagonista ou se é secundário", afirmou a presidente da Unica, Elizabeth Farina, em teleconferência com jornalistas.

Segundo a presidente da Unica, políticas mais claras para setor de combustíveis poderiam ajudar usinas de etanol a lidar com o elevado endividamento, em parte fruto do controle de preços de gasolina pelo governo nos últimos anos.

O preço controlado da gasolina, combustível concorrente do etanol hidratado no Brasil, limita repasses de custos das usinas ao preço do biocombustível, impactando as contas das indústrias.

As ações das companhias brasileiras de açúcar e etanol, como Cosan e São Martinho operavam em queda acentuada nesta segunda-feira.

Investidores avaliavam que uma mudança de governo poderia ter representado uma nova política para reajustes de preços da gasolina.

A própria Unica se aproximou de candidatos oposicionistas. Embora a entidade não tenha declarado apoio oficialmente a qualquer candidatura, o presidente do Conselho Deliberativo da associação, o ex-ministro Roberto Rodrigues, que atuou no governo Lula, declarou seu voto em Aécio Neves, segundo reportagens publicadas na mídia.

Questionada sobre o assunto, Elizabeth disse que é importante focar no futuro. "Olhando para frente, é fundamental que tenhamos diálogo no sentido de qual é a formação de preços que viabilize esse papel estratégico (do etanol)", disse ela, lembrando que a Unica foi um dos primeiros grupos industriais a organizar tal debate.   Continuação...