27 de Outubro de 2014 / às 19:18 / 3 anos atrás

Dólar sobe 2,68% sobre o real, maior alta em 3 anos, após reeleição de Dilma

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar disparou mais de 2,5 por cento nesta segunda-feira, maior avanço em quase três anos, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) deixar os investidores apreensivos com o futuro da política econômica do país.

A moeda norte-americana subiu 2,68 por cento, a 2,5229 reais na venda e, na máxima do dia, chegou a avançar 4,21 por cento, a 2,5605 reais. Foi a maior alta diária no fechamento desde 23 de novembro de 2011, quando subiu 2,94 por cento, com a moeda renovando a máxima de fechamento desde meados de 2005.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares.

Na sexta-feira, a divisa norte-americana havia caído 2,26 por cento em meio a rumores de que o desempenho nas urnas do candidato Aécio Neves (PSDB), derrotado por Dilma no domingo, poderia ser melhor.

"O mercado está operando no escuro", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira. "Nós sabemos quem é a presidente, mas agora queremos saber quem é o ministro da Fazenda e como de fato vai ser esse próximo governo. Só aí vai dar para saber onde o dólar vai se acomodar".

Dilma, cuja política econômica é alvo de críticas nos mercados financeiros, foi reeleita no domingo.

Apesar de a presidente ter acenado com o diálogo, investidores mostravam-se céticos. Segundo analistas, os mercados financeiros devem continuar voláteis até que ela dê sinais concretos de que está disposta a mudar a política econômica.

Em seu discurso após a reeleição na noite passada, a presidente disse que faria "ações locais, em especial na economia, para retomar o nosso ritmo de crescimento".

De acordo com analistas, o mercado já havia parcialmente precificado a vitória de Dilma ao levar o dólar da casa de 2,20 a 2,50 reais de setembro para cá, e que a divisa deve continuar por volta de 2,55 reais até que fique mais claro como será o próximo governo.

Alguns, no entanto, eram bem mais pessimistas e chegaram a acreditar que a moeda norte-americana pode ir a 2,70 reais no curto prazo.

"Tipicamente, o mercado precifica o risco eleitoral bem antes das eleições", escreveu em relatório o estrategista para mercados emergentes do Citi, Dirk Willer.

EQUIPE

Uma outra questão que os mercados vão querer ver resolvida é a formação da nova equipe econômica. Segundo publicou a Reuters na véspera, Dilma quer manter Alexandre Tombini à frente do Banco Central e deve convidar o empresário Josué Gomes para assumir o Ministério do Desenvolvimento. No ministério da Fazenda, os nomes que ela trabalha são do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e do ex-secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa.

Operadores consultados pela Reuters preferem Barbosa a Mercadante e querem saber, também, se o atual secretário do Tesouro, Arno Augustin, será substituído.

"Se houver um ministro menos favorável ao mercado, o real vai se desvalorizar ainda mais. E se o ministro agradar o mercado, o câmbio pode se acomodar", afirmou o operador de câmbio de um importante banco nacional.

Especialistas apontavam ainda, agora com a reeleição de Dilma, que o Banco Central deve continuar em 2015 com o programa de intervenção no câmbio, iniciado em agosto do ano passado. E isso certamente será importante na cotação do dólar.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 3,1 mil contratos para 1º de junho e 900 contratos para 1º de setembro de 2015, com volume equivalente a 197,2 milhões de dólares.

O BC também vendeu a oferta total de até 8 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 85 por cento do lote total, equivalente a 8,84 bilhões de dólares.

Analistas lembram ainda que a perspectiva é que, no futuro, o dólar volte a ser pressionado, dessa vez pelo cenário externo. A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos no próximo ano tem preocupado investidores, que temem que recursos atualmente aplicados em mercados como o Brasil migrem para a maior economia do mundo.

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