Bovespa fecha em queda 2,77% após reeleição de Dilma, mas longe da mínima

segunda-feira, 27 de outubro de 2014 18:08 BRST
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A Bovespa fechou nesta segunda-feira no menor patamar desde abril deste ano e com forte giro financeiro, um dia após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em meio a ajustes de posições e expectativa sobre como a petista vai lidar com os desafios no campo econômico em seu segundo mandato.

A queda, contudo, foi bem mais amena do que previa a parcela mais pessimista do mercado, que esperava o acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe os negócios quando a queda supera os 10 por cento. Nem na mínima da sessão, o Ibovespa chegou perto disso.

Profissionais do mercado ouvidos pela Reuters explicaram a queda mais branda citando que o Ibovespa ficou barato em dólar, o que atrai fluxo externo, assim como houve busca por pechinchas diante da queda mais forte na abertura e também alguma antecipação nos últimos pregões com apostas na reeleição.

O Bank of America Merrill Lynch também notou que investidores que buscam assumir posição de longo prazo ("long only") não estavam vendendo agressivamente, enquanto os fundos de hedge estavam cobrindo posições. Também citou que a maioria dos retornos que recebeu de agentes do mercado indicam que investidores estão olhando mais a lista de compras, do que a de vendas.

O Ibovespa fechou em baixa de 2,77 por cento, a 50.503 pontos, após marcar 48.722 pontos no pior momento pela manhã, em queda de 6,2 por cento. O volume do pregão somou 17,8 bilhões de reais.

"O Ibovespa deve ficar nesse intervalo de 48 mil a 52 mil pontos até que Dilma consiga identificar para o mercado quem estará na Fazenda, se é capaz de dar mais credibilidade (para a política econômica), particularmente na parte fiscal", avalia o sócio e fundador da Humaitá Investimentos, Frederico Mesnik.

Pesquisa Reuters publicada no final de setembro colocava o Ibovespa em 50 mil pontos no final do ano no caso de reeleição de Dilma.

"Se Dilma optar por um caminho diferente, pode conseguir acalmar o mercado. Caso insista em nomes que não são bem aceitos pelo mercado, teremos mais quatro anos extremamente ruins na economia", disse à Reuters o gestor de um fundo no Rio de Janeiro, que pediu para não ter o nome citado.   Continuação...