Ministro da Fazenda não precisa ser do PT, diz Rui Falcão

segunda-feira, 27 de outubro de 2014 18:29 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Um dia após a presidente Dilma Rousseff (PT) ser reeleita numa disputa acirradíssima, o presidente do partido, Rui Falcão, disse que a legenda não determina quem deve ser ministro e que não se oporia a um ministro da Fazenda que não fosse petista.

"O governo não manda no partido e o partido não controla o governo", disse Falcão a jornalistas na sede do PT, em São Paulo, nesta segunda-feira.

"É natural que a gente seja ouvido (sobre o novo ministro da Fazenda). Se for um quadro (externo) preparado e leal ao programa de governo que a maioria do povo brasileiro aprovou, não haveria restrição", disse, perguntado sobre a possibilidade de um nome de fora do partido, inclusive do mercado financeiro.

"Sempre preferimos que seja um quadro partidário, mas o fundamental é que as linhas gerais da política econômica, tal como estejam sendo praticadas, sejam mantidas", acrescentou.

Perguntado se a presidente faria um gesto em direção ao mercado financeiro, disse não ter conversado com ela sobre isso no domingo. "Não sei se ela vai fazer essa sinalização", afirmou, negando que não goste do mercado financeiro. "Temos um mercado muito mais amplo, que é o de consumo."

Durante a campanha, Dilma disse que o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixará o cargo num segundo mandato, a pedido dele por motivos pessoais.

Nesta segunda-feira, Mantega afirmou a jornalistas que o governo fará o melhor resultado fiscal possível neste ano e buscará um esforço maior em 2015. A afirmação ocorre em meio a um cenário em que os dados fiscais vêm se deteriorando a cada mês.

Mantega disse ainda que a política econômica do governo da presidente será mantida e reforçada.[nL1N0SM1JO]

Indagado sobre qual nome para ocupar a Fazenda reuniria as credenciais capazes de ajudar a recuperar a confiança de empresários e investidores na economia, Mantega disse que "essa pergunta tem que ser feita à presidente".   Continuação...

 
Presidente do PT, Rui Falcão, em entrevista à Reuters em Brasília. 29/7/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino