China pode “punir” Hong Kong por protestos, diz ex-chefe de banco central

quarta-feira, 29 de outubro de 2014 09:17 BRST
 

Por Clare Jim

HONG KONG (Reuters) - Um membro da entidade que aconselha o Banco Central chinês alertou, nesta quarta-feira, que Pequim vai punir Hong Kong caso os protestos que paralisam há um mês partes do centro financeiro asiático, controlado pela China, tenham permissão de continuar.

Joseph Yam, vice-presidente-executivo da Sociedade Chinesa para Financiamento e Serviço Bancário e ex-presidente do Banco Central de Hong Kong, disse que a integridade financeira e a estabilidade da cidade também estão em risco.

“A prosperidade econômica de Hong Kong foi construída sobre seu papel de intermediário entre a China continental e o exterior, especialmente no reino financeiro”, disse Yam, que pediu para que os manifestantes, em grande parte estudantes, voltassem para casa. 

“(Quando) o intermediário não coopera, não traz confiança, dá trabalho, a China continental com certeza vai reduzir sua confiança, começar de novo em outro lugar e reduzir as políticas preferenciais concedidas a Hong Kong em meio ao processo de reforma econômica", afirmou.

O alerta aconteceu horas antes de o principal conselho parlamentar da China ter expulsado o legislador James Tien Pei-chun, de Hong Kong, por ter pedido para que o controverso chefe executivo da cidade, Leung Chun-ying, deixasse o cargo. Tien disse, após a notícia, que renunciaria como líder do Partido Liberal de Hong Kong. 

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas no auge das manifestações para exigir maior democracia na ex-colônia britânica, embora o número de manifestantes tenha caído para centenas nas últimas semanas.

Os protestos foram desencadeados pela imposição da China sobre um restritivo processo eleitoral para escolher o próximo líder do território em 2017, sob o qual seriam permitidos apenas candidatos pré-aprovados por um comitê de 1.200 pessoas repleto de aliados de Pequim. 

Os poderosos magnatas da cidade haviam alertado, antes mesmos dos protestos, que manifestações poderiam ameaçar a estabilidade financeira da cidade, embora tenham permanecido, em grande parte, silenciosos.   Continuação...

 
Manifestantes acampados em protesto pró-democracia no distrito financeiro de Hong Kong. 29/10/2014 REUTERS/Damir Sagolj