El Niño fraco favorece soja na Argentina e no Paraguai; traz riscos para Brasil

quarta-feira, 29 de outubro de 2014 17:12 BRST
 

Por Maximilian Heath

BUENOS AIRES (Reuters) - A versão enfraquecida do fenômeno climático El Niño esperada para a temporada 2014/15 causará efeitos díspares sobre a principal região exportadora de soja do mundo, beneficiando Argentina e Paraguai, mas trazendo alguns riscos para as lavouras do Brasil e do Uruguai, disseram especialistas.

O El Niño consiste numa desaceleração dos ventos equatoriais, que provoca um aquecimento do Pacífico na região do Equador e fortes chuvas em grande parte da Argentina, Uruguai e Sul do Brasil, além secas em outras partes do mundo.

"Estamos em uma época de temperaturas mais quentes na superfície no Pacífico central equatorial. Mas estas não têm conseguido durante três meses ser temperaturas suficientes para que seja batizado como 'Niño'. Por isso, estamos seguros que vai ser fraco", afirmou à Reuters Stella Carballo, meteorologista do Instituto de Clima e Água da Argentina.

Como é esperada uma versão enfraquecida do fenômeno, as chuvas que atingirão a Argentina e o Paraguai não seriam tão intensas nos próximos meses, o que geraria um nível de umidade ideal, sem risco de grandes inundações.

No entanto, um El Niño atenuado representa alguns riscos para a produção do Brasil, podendo inclusive favorecer o desenvolvimento do fungo da ferrugem da soja.

O Uruguai, por sua vez, não teria as fortes chuvas mitigadas pelo fenômeno, o que representa uma ameaça para as lavouras do país sul-americano.

"O estado em que estamos agora é 'quente neutro'. Ou seja, um pouco abaixo de El Niño, o que significa que é um ano úmido, mas mais moderado no volume e na forma da ocorrência de chuvas na Argentina", disse Eduardo Sierra, conselheiro de clima da Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

De acordo com a analista do Instituto de Clima e Água, todas as semanas têm sido registrados cerca de 100 milímetros de chuva na Argentina, mas em regiões diferentes, o que garante um bom nível de umidade no solo. A especialista, entretanto, não descartou que as precipitações possam se prolongar, criando dificuldades para os produtores.   Continuação...