Diretor de Abastecimento da Petrobras diz ter tido poucos contatos com Paulo Roberto

quarta-feira, 29 de outubro de 2014 18:52 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, afirmou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional que teve poucos contatos com o ex-diretor da divisão Paulo Roberto Costa, delator de um esquema de corrupção na estatal.

Costa delatou um esquema de "sobrepreços" em contratos da estatal, cujos pagamentos, em sua maioria, teriam como destino partidos políticos, como PT, PP e PMDB.

Desde que assumiu a diretoria de Abastecimento, em 2012, Cosenza disse à CPMI ter tido no máximo três contatos telefônicos com Paulo Roberto e dois pessoalmente.

No entanto, Cosenza havia afirmado mais cedo na reunião, ao deputado Marco Maia (PT-RS), que teria se relacionado com Costa apenas quando assumiu a área de refino da estatal, e negou ter mantido relações com o ex-diretor depois de tê-lo substituído.

Pouco depois, o atual diretor voltou atrás e disse ter procurado o ex-diretor, por telefone, para saber detalhes do modo de operar da diretoria de Abastecimento. Esses contatos teriam sido "estritamente" profissionais.

"Fui eu quem fiz a ligação (ao ex-diretor)... Queria tirar dúvidas sobre o 'modus operandi' da instalação... como se dão alguns trâmites administrativos", afirmou, acrescentando que não conhecia como funcionava a gestão da diretoria quando a assumiu.

Cosenza negou também ter tido contato com o doleiro Alberto Youssef, acusado de ser um dos chefes do esquema e que recentemente fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

"Nunca estive com essas pessoas", disse, sobre o doleiro e o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA), que teria recebido dinheiro ilegal de Youssef.

O executivo da Petrobras disse ainda que desconhece a prática de sobrepreços desviados para partidos e também o suposto cartel de empreiteiras que teriam pago propina em contratos firmados com a estatal.   Continuação...