BC supreende e eleva juros a 11,25%, em primeira reunião após eleição

quarta-feira, 29 de outubro de 2014 23:39 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Três dias depois de a presidente Dilma Rousseff ser reeleita, o Banco Central surpreendeu e decidiu elevar a taxa básica de juros para 11,25 por cento, numa decisão dividida, alegando que aumentaram os riscos para a inflação.

A alta foi bem recebida por agentes econômicos, que viram no movimento desta quarta-feira um sinal de mudança na política monetária no segundo mandato da petista. A expectativa é que os mercados reajam positivamente à decisão na quinta-feira.

"É uma surpresa para o mercado, mas é surpresa boa. É sinal de que é decisão restabelecer a confiança no compromisso com a redução da inflação ao longo do tempo", disse o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho.

A presidente, durante a campanha e após o pleito de domingo, prometeu mudanças na condução da política econômica, bastante criticada pelo mercado por ser pouco transparente e muito frouxa pelo lado fiscal, e de ter levado a um cenário de inflação alta e baixo crescimento econômico.

"Essa alteração na política monetária talvez seja vista como uma possibilidade de alteração na política econômica de uma maneira geral. Aparentemente, a mudança da política econômica é de verdade", disse o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

Em comunicado, o Comitê de Política Monetária disse que a "intensificação dos ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável" desde a última reunião no início de setembro.

"À vista disso, o comitê considerou oportuno ajustar as condições monetárias de modo a garantir, a um custo menor, a prevalência de um cenário mais benigno para a inflação em 2015 e 2016", acrescentou.

Cinco membros do Copom, entre eles o presidente do BC, Alexandre Tombini, votaram pela elevação, enquanto três pela manutenção da taxa de juros. Em pesquisa Reuters realizada na segunda-feira, todos os 43 analistas consultados esperavam manutenção da Selic em 11 por cento. (Full Story)   Continuação...

 
Pedestre passa pela sede do Banco Central, em Brasília, em janeiro. 15/01/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino