Bradesco tem lucro recorrente de R$3,95 bi no 3º tri e reduz previsão para crédito

quinta-feira, 30 de outubro de 2014 08:25 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco enviou sinais mistos ao mercado, com o forte lucro do terceiro trimestre contrabalançado pela piora da qualidade da carteira de empréstimos, que também voltou a ter fraca expansão e provocou queda da previsão de crescimento em 2014.

O segundo maior banco privado do país anunciou nesta quinta-feira que seu lucro líquido do período subiu 26,5 por cento ante igual período de 2013, a 3,875 bilhões de reais. O resultado veio mesmo após efeito contábil negativo de 598 milhões de reais gerado pelo colapso do português Banco Espírito Santo, no qual o Bradesco tinha 3,9 por cento do capital.

Em bases recorrentes, o lucro foi de 3,95 bilhões de reais, avanço de 28,2 por cento na comparação anual. O número veio pouco aicma da previsão média de sete analistas consultados pela Reuters, de 3,849 bilhões de reais. [L1N0SM1XD]

O ciclo de fraca expansão dos empréstimos, refletindo a estagnação da economia brasileira, voltou a aparecer, com avanço de apenas 7,7 por cento dos financiamentos em 12 meses, a 444,195 bilhões de reais. O crédito para varejo subiu 8,6 por cento, enquanto a de empresas evoluiu 7,2 por cento

Com isso, o banco reduziu a previsão de alta de sua carteira de crédito em 2014, de 10 a 14 por cento para 7 a 11 por cento. Em pessoas físicas, a projeção de incremento caiu da faixa de 11 a 15 para 8 a 12 por cento. Já para o setor corporativo, a estimativa recuou de 9 a 13 para 6 a 10 por cento.

E, mesmo com foco em linhas consideradas mais seguras, como imobiliária e consignado, o Bradesco viu o índice de calotes acima de 90 dias subir a 3,6 por cento no trimestre, ante 3,5 por cento no fim de junho e 3,6 por cento em setembro de 2013.

Assim, a despesa com provisões para perdas com inadimplência somaram 3,348 bilhões de reais entre julho e setembro, avanço de 16,2 por cento ante igual etapa do ano passado.

Em relatório, o banco atribuiu esse avanço ao "agravamento do nível de risco de casos pontuais, ocorridos em operações com clientes corporativos, que se iniciou no segundo trimestre".   Continuação...