Mercado vê leilão de energia solar com pelo menos 500 MW e sem forte deságio

quinta-feira, 30 de outubro de 2014 16:42 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas e Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - Investidores do setor de energia solar esperam que ao menos 500 megawatts em usinas dessa fonte sejam contratados no leilão de sexta-feira, mas com deságio baixo ante o preço-teto permitido de 262 reais por megawatt-hora (MWh), diante de incertezas sobre fornecimento de equipamentos e volatilidade cambial.

Projetos híbridos, em que usinas solares são erguidas em locais em que já existem outros projetos de geração, geralmente eólicos ou hidrelétricos, tendem a ter vantagens competitivas, já que podem obter sinergias com os projetos existentes, reduzindo investimentos.

"Eu não tenho dúvida que não vai faltar quem ofereça energia. Mas que o deságio não vai ser muito grande, não acho que vai mesmo. Esses projetos que vão juntar com eólica têm condições de chegar num preço com um melhor deságio, mas tem que ver se vão querer brigar entre eles", disse o assessor da área de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição) da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Roberto Barbieri.

O preço-teto do leilão de reserva de sexta-feira está em linha com a expectativa do mercado, mas a falta de garantias pelos fornecedores de equipamentos de que se instalarão no país pode dificultar a participação de alguns empreendedores que dependem apenas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como fonte de financiamento. Falta de pré-contrato com fornecedores dificulta a formulação de lances mais agressivos pelos competidores mais cautelosos.

O BNDES faz exigências de nacionalização de fabricação de equipamentos para definir financiamentos aos parques solares. No entanto, o Brasil só tem um fabricante de módulos solares, a Tecnometal. Grande parte dos fabricantes internacionais espera o resultado do leilão de energia solar para decidir se instalarão fábricas no país, com base na demanda que deve surgir.

"É uma questão meio do ovo e da galinha. Alguns fabricantes têm dito que tem interesse em colocar fábrica no Brasil a depender do resultado do leilão. Mas os investidores precisam da garantia do fornecedor para ter certeza de que BNDES vai financiar", disse o sócio-fundador da Energia Capital, Eduardo Serra, que tem projetos cadastrados com parceria de investidor nacional para participar do leilão.

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