BC do Japão choca com mais estímulo conforme inflação desacelera

sexta-feira, 31 de outubro de 2014 08:33 BRST
 

Por Leika Kihara e Tetsushi Kajimoto

TÓQUIO (Reuters) - O Banco do Japão surpreendeu os mercados financeiros globais nesta sexta-feira ao expandir seu forte estímulo, reconhecendo que o crescimento econômico e a inflação não aceleraram como esperado após o aumento do imposto sobre vendas em abril.

O presidente do banco central japonês, Haruhiko Kuroda, classificou a decisão como uma prevenção para manter a política monetária no caminho certo, não admitindo que seu plano saiu dos trilhos.

"Decidimos expandir o estímulo quantitativo e qualitativo para garantir que alcancemos logo nossa meta de preço", disse ele em entrevista à imprensa, reafirmando a meta de inflação de 2 por cento no próximo ano.

"Estamos em um momento crítico no esforço de nos libertamos da mentalidade de deflacionária."

Em uma rara decisão dividida, o conselho do banco central votou por 5 a 4 para acelerar as compras de títulos do governo japonês, para que seu portfólio aumento ao ritmo anual de 80 trilhões de ienes (723,4 bilhões de dólares), 30 trilhões de ienes a mais do que era feito até então.

"A economia do Japão continua se recuperando moderadamente como tendência e deve continuar crescendo acima de seu potencial", informou o banco central. "Mas a demanda doméstica fraca após o aumento do imposto sobre vendas e fortes quedas nos preços do petróleo estão pesando sobre os preços."

Em relatório semianual, o banco central ainda cortou pela metade sua previsão de crescimento para o ano fiscal até março, para 0,5 por cento. Também reduziu ligeiramente a projeção para o índice de preços ao consumidor para os anos fiscais de 2014 e 2015, mas ainda espera atingir sua meta de inflação dentro do cronograma de dois anos originalmente determinado.

 
O Banco do Japão surpreendeu os mercados financeiros globais nesta sexta-feira ao expandir seu forte estímulo, reconhecendo que o crescimento econômico e a inflação não aceleraram como esperado após o aumento do imposto sobre vendas em abril, 31/10/2014 REUTERS/Issei Kato