Governo central tem déficit primário recorde em setembro; no ano, resultado fica negativo

sexta-feira, 31 de outubro de 2014 11:15 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) registrou déficit primário de 20,399 bilhões de reais em setembro, pior resultado da série histórica, influenciado por menores receitas e por gastos com 13º salário de aposentados e pensionistas.

No acumulado do ano até o mês passado, a economia feita para o pagamento de juros ficou negativa em 15,706 bilhões de reais, informou o Tesouro Nacional nesta sexta-feira, no vermelho pela primeira vez também na série histórica, iniciada em 1997.

A meta do governo central deste ano é de 80,8 bilhões de reais neste ano. Para tentar cumpri-la, seriam necessários superávits primários mensais de mais de 30 bilhões de reais entre outubro e dezembro.

A política fiscal tem sido fortemente criticada por agentes econômicos pela falta de transparência e, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), existe a expectativa de que mudanças podem vir como parte de uma política econômica ampla diferente.

Um dos sinais veio nesta semana do Banco Central, que surpreendeu ao elevar a Selic, citando a piora nos riscos de inflação. Uma das preocupações do governo é evitar rebaixamento na classificação de risco do país.

O resultado de setembro dificulta ainda o cumprimento da meta de superávit primário para o ano, de 99 bilhões de reais para o setor público consolidado (governo federal, Banco Central e Previdência), colocando a necessidade de o governo alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014 para alterar o alvo fiscal.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou que o resultado de setembro é crucial para mudar a meta do ano e disse que vai mandar um decreto para alterar a meta do superávit primário de 2014 na LDO, sem informar, no entanto o novo patamar.

MENOS RECEITAS E MAIS GASTOS   Continuação...