Diretor da Aneel vai considerar queixas sobre divisão de gasto térmico pós-queda do PLD

segunda-feira, 3 de novembro de 2014 13:24 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Jurhosa, admitiu nessa segunda-feira que pode fazer modificações na proposta da agência relacionada à redução em mais de 50 por cento no patamar máximo do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) para o ano que vem.

O ponto que ele admitiu que pode vir a ser alterado é o referente ao novo rateio do Encargo de Serviços do Sistema (ESS), que passaria a ser pago apenas pelos participantes do mercado de energia elétrica expostos. Essa proposta gerou crítica de praticamente todos os representantes de empresas e associações que participaram nesta segunda-feira de audiência pública da Aneel para tratar do assunto.

"Vamos verificar a pertinência e se realmente isso for unânime, nós com certeza vamos relevar. Nós não temos interesse nenhum em trazer um prejuízo enorme para a sociedade", disse o diretor a jornalistas após a audiência pública.

Durante a reunião, alguns dos principais agentes do setor elétrico, incluindo geradores e distribuidoras, manifestaram-se contra a proposta da Aneel de dividir apenas entre as empresas expostas os custos do ESS, que deve subir com a nova proposta da Aneel de reduzir o PLD para 388,04 reais por megawatt-hora (MWh), ante os 822,83 reais atuais, o teto do PLD.

Durante a audiência desta segunda-feira, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apresentou estimativa de que, se esse teto proposto para o PLD em 2015 estivesse em vigor em 2014, os custos financeiros do setor teriam diminuído em cerca de 7,3 bilhões de reais somente entre janeiro e agosto.

Essa queda no teto deixaria o PLD máximo abaixo do custo de muitas usinas termelétricas que devem continuar gerando em 2015. Essas usinas com preço acima do teto do PLD seriam pagas, então, via ESS pelos agentes expostos ao mercado de curto prazo, segundo a proposta da Aneel.

O novo rateio foi criticado na audiência por representantes de empresas como CPFL e Equatorial Energia e por associações como a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage).

"Os geradores não fizeram previsão para arcar com os custos desse rateio", disse, em sua apresentação, o presidente da Abrage, Flávio Neiva.

Outro argumento apresentado por mais de um representante que participou da audiência nesta segunda-feira foi o de que essa divisão do ESS pode acabar onerando demais poucas empresas que eventualmente estejam expostas, podendo gerar até inadimplência.   Continuação...