BNDES fica sob holofotes diante de pressão de contas do governo federal

segunda-feira, 3 de novembro de 2014 18:20 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Por anos, as empresas brasileiras têm contado com crédito barato do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas essa dependência tem enfraquecido as contas públicas e tirando bancos privados dos mercados de crédito.

Críticos afirmam que em vez de forçar as empresas a mudarem de postura, a presidente Dilma Rousseff injetou mais recursos no BNDES desde que assumiu a presidência do país em 2011.

Com a economia brasileira agora estagnada, Dilma enfrenta pressão para reduzir a intervenção do Estado na economia. Nos primeiros nove meses do ano, o governo federal gastou mais do que arrecadou, mesmo após o pagamento de dívidas, no primeiro déficit primário desde 1994.

Agências de classificação de risco alertaram que podem reduzir a nota do Brasil em 2015 e estão olhando atentamente se o papel menor do BNDES estará entre as mudanças de políticas de Dilma em seu segundo mandato, a partir de janeiro.

"A redefinição do papel do BNDES é um sinal importante de que o governo será sério no fronte fiscal", disse Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina no Goldman Sachs. "Os investidores ficarão muito atentos sobre qualquer passo para resolver a presença excessiva do banco nos mercados de crédito."

Desde seu lançamento em 1952, o BNDES tem praticamente sido a única fonte de crédito corporativo de longo prazo no país. Sob o governo de Dilma, o banco emprestou mais de 570 bilhões de reais a taxas subsidiadas financiadas principalmente pela venda de títulos do Tesouro, o que causou um salto na dívida.

A diferença entre a taxa de juros que o governo paga a investidores para financiar o BNDES e a que o banco paga por esse apoio alcançou 6,25 por cento, custando aos contribuintes 35 bilhões de reais por ano. A cifra deve crescer em 2015.

O governo federal reconhece os efeitos que os empréstimos do BNDES causam, mas eles ajudaram a guiar o crescimento ao longo dos anos, o que preocupa o governo federal sobre uma redução do papel do banco de fomento. Isso ocorre especialmente em um momento em que o crédito do setor privado continua escasso e caro, afirmaram duas fontes próximas do assunto.   Continuação...