ENTREVISTA-Sinais na direção certa podem trazer investimentos de volta ao Brasil, diz JPMorgan

segunda-feira, 3 de novembro de 2014 18:54 BRST
 

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A retomada do ciclo de investimentos privados no Brasil, incluindo na infraestrutura, pode acontecer rapidamente nos próximos meses, se sinais apropriados forem dados pelo governo federal após as incertezas ligadas à eleição presidencial, disse o diretor-presidente do JPMorgan no Brasil, José Berenguer.

Vários projetos, incluindo construção de estradas e portos, e projetos agrícolas e no setor de serviços estão prontos para serem desengavetados, disse Berenguer em entrevista à Reuters.

    Os desafios para a presidente Dilma Rousseff, reeleita na semana passada para outro mandato de quatro anos, estão se acumulando e incluem aumentar o controle dos gastos públicos e reativar a economia, disse o executivo. Mas mesmo que ela não faça os ajustes necessários da forma rápida que o mercado espera, diz Berenguer, o país vai avançar.

    "Está todo mundo tão pessimista que acho que as mudanças certas podem provocar uma mudança muito rápida das expectativas", disse. "Se tivermos um cenário minimamente construtivo, poderemos entrar num ciclo virtuoso."

    O mercado mostrou forte volatilidade nos meses anteriores à eleição da semana passada, em parte devido à crescente incerteza política. As ofertas iniciais de ações estão tendo o pior ano em mais de uma década, enquanto o número de fusões e aquisições de negócios caiu cerca de 15 por cento em relação ao ano passado.

Para o executivo do JPMorgan, a tendência agora é de que haja uma reabertura do mercado de capitais e ele já percebeu essa disposição em conversas com os interlocutores do mercado, que ainda estão subalocados em Brasil, esperando justamente que as incertezas políticas se dissipem.

Após uma reação inicial mais negativa, o Ibovespa tomou fôlego nos dias seguintes à eleição e fechou a última sexta-feira com forte alta de 4,38 por cento, zerando as perdas do mês e voltando ao azul no acumulado do ano.

    Isso ocorreu após o Banco Central na quarta-feira ter se antecipado para ancorar as expectativas de inflação, elevando a taxa básica de juros Selic pela primeira vez em seis meses, de 11 para 11,25 por cento ao ano.   Continuação...