Inflação segue elevada e BC sinaliza mais altas nos juros, mostra ata do Copom

quinta-feira, 6 de novembro de 2014 10:18 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - O cenário de inflação para 2014 e 2015 do Banco Central piorou e continua em patamares elevados, com indicação de que entrará em convergência para a meta somente em 2016, pavimentando o caminho para novas altas da Selic.

Segundo ata da última reunião do Comitê de Política Monetária divulgada nesta quinta-feira, essa pressão vem, em parte, dos ajustes nos preços relativos (câmbio e administrados), o que "tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável", justificando a surpreendente alta de 0,25 ponto percentual na Selic, para 11,25 por cento ao ano.

A decisão pelo aumento do juro básico na semana passada, no entanto, foi bastante dividida.

Os três dos cinco membros do Copom que votaram pela manutenção da taxa básica argumentaram "que incertezas ainda cercam a magnitude e a persistência desses ajustes", de modo que, "neste momento", as condições monetárias deveriam ficar inalteradas, segundo a ata.

O Copom "reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre a inflação e reafirma sua visão de que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes", trouxe o documento.

Sobre os preços administrados, o BC prevê alta de 5,3 por cento em 2014, acima dos 5 por cento calculados até então, ao mesmo tempo em que manteve as contas de 2015 e 2016 em 6 e 4,9 por cento, respectativamente.

"É o inicio de processo de subida dos juros... É uma ata mais dura com relação à inflação", afirmou o economista do BBVA, Enestor dos Santos, citando o câmbio, preços administrados e política fiscal.

Para ele, a Selic será elevada em 0,25 ponto percentual em dezembro, última reunião do Copom deste ano, e os próximos passos dependerão dessas variáveis. Neste momento, a projeção de que a Selic irá a 12,25 por cento neste novo ciclo de aperto monetário continua, acrescentou.   Continuação...

 
Sede do Banco Central em Brasí­lia. 22/09/2011. REUTERS/Ueslei Marcelino