Advent levanta fundo de US$2,1 bi para América Latina

quinta-feira, 6 de novembro de 2014 17:22 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A gestora de fundos de participações em empresas Advent anunciou nesta quinta-feira a captação de 2,1 bilhões de dólares para o seu sexto fundo dedicado à América Latina, o maior dos chamados fundos de private equity já levantados para a região.

Segundo a Advent, o fundo será gerido com a mesma estratégia dos anteriores levantados por ela, com foco em transações de controle, ou naquelas em que a gestora possa ter influência relevante, especialmente no Brasil, Colômbia e México.

A preferência será pelos setores de serviços, serviços financeiros, saúde, indústria, infraestrutura, varejo e consumo, explicou Juan Pablo Zucchini, sócio-gerente da Advent. O plano é investir todos os recursos do fundo num horizonte de até 4 anos.

"O Brasil deve ser o principal destino mais relevante dos investimentos, seguido por Peru, Colômbia e, depois, México", disse o executivo à Reuters.

De acordo com comunicado, mais de 60 investidores institucionais participam do fundo, batizado de Lapef VI, incluindo fundos de pensão públicos, fundações, universidades, fundos de fundos, fundos soberanos e family offices.

Aproximadamente metade do fundo foi levantado com investidores norte-americanos, um quarto na Europa e o restante na América Latina, Oriente Médio e Ásia.

A Advent é uma das maiores investidoras na compra e venda de participações de empresas no Brasil. Nos últimos anos, investiu em companhias como IMC, CSU Cardsystem, Totvs, Dufry, Kroton e Cetip, antes de elas se listarem na Bovespa.

Segundo Zucchini, a fraca atividade recente do mercado de capitais --no ano, apenas uma empresa brasileira se listou na bolsa, a Ouro Fino Saúde Animal-- pode prejudicar o desinvestimento dos fundos de private equity, mas a Advent trabalha com a hipótese de venda a investidores estratégicos.

Além disso, disse o executivo, a escassez das ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), também é positiva. Isso porque, com menos opções para receber recursos de investidores, as empresas se dispõem a receber valores menores para vender participações.

Ou seja, com menos concorrência os fundos, que investem para um período médio de 5 a 7 anos, têm melhores chances de rentabilidade no longo prazo.