ONS vê impacto pequeno em termelétricas após alta no preço do diesel

sexta-feira, 7 de novembro de 2014 13:37 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Operador Nacional do Sistema (ONS) espera que o custo da energia térmica no Brasil cresça nos próximos meses depois do aumento no preço do diesel, anunciado pela Petrobras na noite de quinta-feira.

O diretor-geral do órgão responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), Hermes Chipp, afirmou a jornalistas que o reajuste no preço do diesel afetará principalmente térmicas do Nordeste, num total de cerca de 3.000 megawatts. O parque total de térmicas do Brasil é de 20 mil MW.

"Haverá impacto, mas será pequeno. Não temos muita térmica a diesel; a maioria é a gás", disse ele a jornalistas sem mensurar quanto poderia ser esse impacto e quanto poderia ser repassado para as tarifas de energia.

Chipp acrescentou que por enquanto não há “nenhuma perspectiva” de se desligar térmicas enquanto as chuvas “não vierem firmes para recuperar reservatórios” das hidrelétricas.

Ele afirmou que o ONS já começou a liberar vazões de hidrelétricas que vinham sendo preservadas durante a estiagem. Esses são os casos de usinas como Emborcação e Nova Ponte, ambas em Minas Gerais.

"Seguramos no período seco e já começamos a soltar os reservatórios de cabeceira nessa virada do período seco para o úmido”, disse o diretor-geral do ONS.

Chipp afirmou que a previsão do ONS é que o verão de 2014/2015 será menos intenso que o verão de 2013/2014. Se isso se confirmar, o pico de carga de energia será menor no próximo verão que um ano antes.

"Se a temperatura for elevada, e a expectativa é que não seja tanto quanto o ano passado, o pico de carga será menor", afirmou ele.

Chipp reiterou que não há risco de racionamento de energia no país. Na quarta-feira, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) elevou para 5 por cento o risco de déficit de energia em 2015 no Sudeste e Centro-Oeste do país, atingindo assim o risco máximo tolerável no sistema. No mês passado, o CMSE estimava esse risco em 4,7 por cento.

(Por Rodrigo Viga Gaier)