Itaú BBA reduz preço-alvo da Petrobras após reajuste de combustíveis

sexta-feira, 7 de novembro de 2014 19:02 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Itaú BBA reduziu o preço-alvo da Petrobras em 2015 para 23,7 reais por ação, ante a previsão anterior de 25 reais, um dia após o anúncio do tão esperado reajuste de preços dos combustíveis, o qual a instituição classificou como uma "vitória de Pirro", em referência à conquista do rei grego obtida com grandes custos.

O rebaixamento, acrescentou o banco em relatório publicado nesta sexta-feira, acontece diante de um cenário de preços do petróleo mais baixos, desvalorização do real frente ao dólar e da falta de transparência na política de preços de combustíveis, apesar da ascensão da produção de petróleo da companhia.

O Itaú BBA também citou o endividamento da companhia, um dos fatores que levaram a agência de classificação de risco Moody's a rebaixar o rating da estatal recentemente.

A estatal anunciou reajuste de 3 por cento para a gasolina e de 5 por cento para o diesel, na quinta-feira, abaixo do necessário para recuperar as fortes perdas com importações no ano.

"Deixando de lado uma possível reação positiva de curta duração para o aumento, vemos risco de queda de desempenho da Petrobras, especialmente se a moeda continuar a depreciar", disse relatório do Itaú BBA.

O banco trabalha ainda com um cenário de ausência de novos reajustes de preços em 2015 e preços do petróleo mais baixos, o que pode prejudicar ainda mais os ganhos para a empresa.

O Itaú reviu suas perspectivas para o preço do petróleo Brent para 85 dólares por barril em 2015, ante a previsão anterior de 100 dólares.

Dessa forma, considerando o dólar a 2,45 reais no próximo ano, o banco reduziu em 16 por cento as estimativas de lucro líquido para a Petrobras em 2015, para 21,9 bilhões de reais, levando a uma relação dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 4,7 vezes.

Mas caso o dólar chegue a 2,75 reais, o lucro líquido em 2015 poderá somar 15,6 bilhões de reais e a relação dívida líquida/Ebitda subir para 5,5 vezes no fim do ano.   Continuação...