ENTREVISTA-Sapore estuda novos negócios no varejo em 2015 após parceria com Raízen, da Cosan

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014 19:04 BRST
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar da desaceleração do varejo em 2014 e de um horizonte que se desenha sem brilho para 2015, a rede de restaurantes corporativos Sapore estuda novos negócios no setor após ter acertado neste ano parceria com a Raízen, do Grupo Cosan, para a criação de uma rede de restaurantes em postos de combustível em rodovias.

Em entrevista à Reuters, o presidente da companhia, Daniel Mendez, afirmou que analisa opções para ofertar os serviços de infraestrutura alimentar da Sapore a redes de restaurantes para o público em geral, o que pode culminar inclusive na criação de uma bandeira nova, em que a Sapore tenha participação direta.

No fim dos anos de 1990, a companhia, que compete com as multinacionais Sodexo e GRSA no mercado de refeições coletivas, começou a assentar suas operações sobre um esquema de montagem industrial, com soluções como molhos prontos e peças de carnes já cortadas.

No auge da crise financeira de 2008, o modelo foi algoz: os clientes cortaram custos e as concorrentes que os atendiam também, aproveitando a queda no preço dos alimentos. A Sapore, que dependia dos alimentos processados, teve menos margem de manobra, amargando expressiva queda de vendas e uma pesada reestruturação para se manter de pé.

Arrumada a casa, em um processo que incluiu unificação de compras e cancelamento de contratos que davam prejuízo, a Sapore quer agora diversificar sua fonte de receitas, após ter fechado o último ano com faturamento de 1,4 bilhão de reais ante 1,2 bilhão em 2012.

"Toda essa expertise que a gente fez para o nosso negócio, quando a gente olha para o mercado, não vemos soluções assim para o varejo", disse Mendez. "Tanto é que muitas redes quando vieram para o Brasil nos procuraram para assumirmos a infraestrutura delas", disse o executivo citando o caso da cadeia norte-americana de fast food Wendy's.

A Sapore serve mais de 1 milhão de refeições por dia em mais de 1.100 restaurantes no Brasil, México e Colômbia, incluindo pontos instalados em fábricas de empresas como Fiat e Motorola.

"Nossa infraestrutura é muito interessante para um restaurante de alto padrão (voltado para o público em geral), por exemplo. A gente pode ganhar dinheiro fazendo outros ganharem dinheiro", acrescentou o executivo uruguaio, que chegou a trabalhar como garçom em um pequeno restaurante brasileiro do pai antes de fundar a Sapore em 1992.   Continuação...