CENÁRIOS-Distribuidoras de energia terão desafios em 2015, mas gastos serão menores

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 09:26 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - O ano de 2015 será de desafios para as distribuidoras de energia elétrica do Brasil, diante de gastos bilionários que ainda terão que arcar com eletricidade no mercado de curto prazo, mas a perspectiva é de menores gastos em relação a 2014, quando o setor teve de recorrer a empréstimos bancários para fechar suas contas.

Em 2014, as distribuidoras de energia tiveram que arcar com fortes custos de energia no curto prazo, relacionados à descontratação e geração termelétrica, e o governo federal intermediou dois empréstimos -- de 11,2 bilhões e 6,6 bilhões de reais -- com bancos para evitar inadimplência dessas companhias.

Para o ano que vem, os gastos com descontratação tendem a ser reduzidos -- já que a exposição ao mercado de curto prazo é menor e as bandeiras tarifárias ajudarão a aliviar o fluxo de caixa das distribuidoras, com o repasse imediato ao consumidor dos custos com energia mais cara das térmicas. A redução em 50 por cento no patamar máximo do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que serve de base para os cálculos de custo de energia de curto prazo, também diminui a perspectiva de gastos.

Além disso, o segmento está na expectativa de que o quarto ciclo de revisão tarifária, que começa a se aplicado a partir do ano que vem, possa ser mais favorável às distribuidoras.

Nas revisões tarifárias, que ocorrem a cada 4 anos, há uma atualização nos valores de receita necessária para cobertura de custos operacionais eficientes e remuneração adequada dos investimentos realizados pelas companhias. As primeiras companhias a passarem pelo quarto ciclo de revisão tarifária são a Coelce (CE), em 22 de abril, e a Eletropaulo, em 4 de julho.

"(Será) um ano ainda difícil na gestão financeira de curto prazo, mas com expectativas de melhoria, em especial com a consolidação da audiência pública que trata das metodologias de revisão tarifária das distribuidoras", disse o diretor da associação que representa o setor, Abradee, Marco Delgado, à Reuters. "Essas metodologias e seus resultados poderão criar um ciclo virtuoso para alavancar mais investimentos no segmento com foco da expansão e melhoria acelerada da qualidade dos serviços prestados pela distribuidoras."

Mais de 4 gigawatts (GW) médios em contratos de energia das distribuidoras terminam ao final desse ano, indicando um volume grande de energia que essas empresas teriam que recontratar para o ano que vem, em um momento de menor oferta e maior preço de energia.

A contratação de 622 MW médios no leilão A-1 realizado na semana passada, embora pareça ser pouca diante dessa necessidade inicial, ajuda a aliviar a situação já que as companhias também receberão energia das cotas das concessões renovadas, à medida que os contratos antigos vão vencendo no ano vem.   Continuação...