Procurador-geral da República espera por substituição de diretoria da Petrobras

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 17:47 BRST
 

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) - A mais alta autoridade da Procuradoria Geral da República do Brasil pediu nesta terça-feira punição para todos os envolvidos no suposto esquema de fraude de contratos da Petrobras, e afirmou que espera uma "eventual substituição" da diretoria da estatal, ainda que os atuais diretores não tenham culpa pelos casos de corrupção investigados.

Os mais fortes comentários do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foram feitos durante discurso proferido em Conferência Internacional de Combate à Corrupção, em Brasília, enquanto procuradores federais se preparam para denunciar 11 executivos de seis das maiores empreiteiras do Brasil, suspeitas de pagarem propina para garantirem contratos, em esquema que teria também pagamento a políticos brasileiros.

Dois ex-diretores da Petrobras chegaram a ser presos por envolvimento no esquema, que incluiria pagamentos para políticos do PT, PMDB e PP.

Ao falar sobre as denúncias de corrupção que envolvem a Petrobras e diversas empreiteiras, Janot disse que o país "se vê convulsionado por um escândalo que, como um incêndio de largas proporções, consome a Petrobras e produz chagas que corroem a probidade administrativa e as riquezas da nação".

Para ele, como trata-se de uma petroleira com economia mista, com controle da União, é necessário mais rigor e transparência na sua forma de atuar.

"Esperam-se as reformulações cabíveis, inclusive, sem expiar ou imputar previamente culpa, a eventual substituição de sua diretoria, e trabalho colaborativo com o Ministério Público e demais órgãos de controle", declarou Janot. 

O procurador-geral frisou ainda que a resposta àqueles que participaram de atos ilícitos que envolvem a Petrobras será firme, na Justiça brasileira e fora do país.

Ele citou ainda que nos últimos meses foram autorizadas missões de procuradores da República à Suíça e à Holanda, para investigações relacionadas aos casos conhecidos como Lava Jato e SBM Offshore, fornecedora de plataformas para a Petrobras, que teria pago propina a funcionários da estatal para vencer contratos.

Janot disse que outra equipe de procuradores da República irá aos Estados Unidos, em janeiro de 2015, para cooperar com a Securities and Exchange Commission (SEC) e o Departamento de Justiça norte-americano, para aprofundar investigações.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de posse do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em Brasília. 17/09/2013. REUTERS/Ueslei Marcelino