BofA manda "esquecer" Brasil e Rússia e focar em Índia e China em 2015

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 12:09 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Estrategistas do Bank of America Merrill Lynch recomendaram "esquecer" Brasil e Rússia dentro do grupo "Bric" em 2015 e sugeriram a investidores de mercados emergentes que se concentrem em Índia e busquem oportunidades para aumentar a alocação em China.

"Vemos desafios significativos para Brasil e Rússia nos próximos muitos meses", escreveram em relatório nesta terça-feira os estrategistas de portfólio e renda fixa do BofA Merrill Lynch, Cheryl Rowan e Martin Mauro.

No mesmo documento, eles disseram que preferem nos Estados Unidos a alocação de recursos em ações em vez de títulos de dívida pública, "mas não estamos esperando que o diferencial do retorno seja tão grande como nos últimos poucos anos".

"Junto com uma maior seletividade no mercado acionário dos EUA, ficamos mais seletivos dentro dos mercados emergentes, preferindo Índia e China sobre Brasil ou Rússia em 2015", disseram os estrategistas.

Em relação ao Brasil, eles destacaram a nomeação de um novo ministro da Fazenda que pode aliviar preocupações acerca do rebaixamento da nota de crédito de dívida soberana.

"No entanto, crescimento fraco da economia e do lucros das empresas, desafios entre políticas monetária e fiscal, alto nível de inflação e potencial de desvalorização adicional da moeda nos mantêm à margem", afirmaram.

Para à Rússia, o BofA espera condições de recessão em 2015, conforme a demanda doméstica continue a enfraquecer, em meio à pressão de alta da inflação e debilidade do crescimento salarial.

No caso de Índia e China, os estrategistas veem padrões diferentes de crescimento, com o primeiro país no caminho de uma recuperação, enquanto o segundo deve desacelerar e mudar o foco de uma expansão orientada pelo investimento para o consumo.

O relatório cita que o time de economistas do BofA na Ásia espera que a Índia ultrapasse o Brasil e a Rússia para se tornar o segundo maior no Bric até o ano fiscal de 2017.   Continuação...