Tombini diz que trabalha para retomada da inflação à meta "o mais rápido possível"

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 14:17 BRST
 

Por Luciana Otoni e Patrícia Duarte

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Ao mesmo tempo em que alertou que a inflação deve ficar mais alta nos próximos meses, o Banco Central trabalha para que ela retorne "o mais rápido possível" para a convergência à meta, disse o presidente do BC, Alexandre Tombini, em audiência na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional nesta terça-feira.

"Olhando adiante, que do ponto de vista de política monetária me refiro aos próximos anos, o Banco Central, neste momento, trabalha para fazer com que a inflação retome o mais rápido possível à trajetória de convergência para a meta de 4,5 por cento ao ano. O horizonte de convergência com o qual trabalhamos se estende até o final de 2016", disse.

Tombini afirmou ainda que apesar do esforço do BC ter como foco a trajetória da inflação nos próximos dois anos, deve-se considerar que os ganhos decorrentes da esperada convergência da inflação para a trajetória de metas serão estendidos por vários anos, "podendo, inclusive, ter caráter de permanência".

Mas alertou que a alta dos preços deve ser ainda maior do que os atuais níveis nos próximos meses, diante da intensificação dos ajustes nos preços relativos, com avanço do dólar sobre o real e preços administrados, piorando os riscos da inflação. Entre setembro e novembro, a moeda norte-americana teve valorização de quase 15 por cento sobre o real.

"Por conseguinte, entendo que não deveria ser tomado como surpresa, nos próximos meses, um cenário que contempla inflação acima dos níveis em que atualmente se encontra", disse.

O IPCA acumulou alta de 6,56 por cento em 12 meses até novembro, acima do teto da meta de inflação do governo, de 4,5 por cento, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Na semana passada, o BC acelerou o passo e elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, para 11,75 por cento ao ano, mas deixou em aberto a possibilidade de voltar a desacelerar em breve.

Naquele momento, parte dos especialistas entendeu que essa sinalização veio porque o BC estaria à espera de sinais concretos de como será a política fiscal da nova equipe econômica, formada por Tombini e os ministros indicados Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento)'.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. REUTERS/Mike Theiler (UNITED STATES - Tags: BUSINESS POLITICS)